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quarta-feira, 25 de março de 2026

O destino de Eduardo da Fonte e a virada dos Coelho: o que a federação União-PP muda em Pernambuco

Federação União Progressista será homologada nesta quinta, no TSE, e vai criar maior bloco do país, com fundo eleitoral e tempo de TV cobiçados
Do JC PE - Rodrigo Fernandes
charlesnasci@yahoo.com.br

A homologação da federação entre o União Brasil e o Partido Progressistas (PP), marcada para esta quinta-feira (26), às 10h, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, vai além de uma formalidade partidária nacional. Em Pernambuco, o ato pode repercutir no tabuleiro eleitoral para as eleições de 2026, especialmente na disputa pelo Senado. A sessão está sob análise da ministra Estela Aranha e já conta com parecer favorável do Ministério Público Eleitoral.

A criação de uma federação partidária permite que duas ou mais legendas atuem de forma conjunta como uma única agremiação por um período mínimo de quatro anos. Na prática, os partidos passam a compartilhar estrutura partidária, atuação parlamentar e estratégias eleitorais em todo o país.

No caso do União Brasil e do PP, a fusão criaria o maior bloco político do país, reunindo 103 deputados federais, 12 senadores e cerca de 1,3 mil prefeitos. O objetivo das cúpulas nacionais é centralizar o poder político e garantir acesso a aproximadamente R$ 900 milhões do fundo eleitoral.

O xadrez pernambucano

Em Pernambuco, a federação coloca frente a frente dois líderes partidários: o deputado federal Eduardo da Fonte, que preside o diretório estadual do PP, e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, presidente local do União Brasil. Os dois têm interesse em disputar o Senado, mas protagonizaram divergências de percurso.

Há pouco tempo, Miguel Coelho iniciou sua pré-campanha ao lado do prefeito do Recife, João Campos. Eduardo da Fonte, por sua vez, caminhava com a governadora Raquel Lyra. O tabuleiro, no entanto, se inverteu. Eduardo passou a dialogar com João Campos, o que desagradou a governadora e fez Raquel exonerar do governo quadros indicados pelo PP, fechando as portas para Da Fonte.

Do outro lado, Miguel perdeu espaço na chapa de João após o prefeito fechar alianças com Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT). Sem saída no campo do prefeito, Miguel migrou para o grupo da governadora e já apareceu em eventos públicos como pré-candidato ao Senado na chapa de Raquel, com aval da direção nacional do União Brasil.

A virada do União Brasil

A entrada de Miguel Coelho no grupo da governadora trouxe resultados imediatos. O partido entregou cargos que tinha na prefeitura do Recife e, com as exonerações dos quadros do PP no governo estadual, as vagas passaram a ser cobiçadas pelo partido. Nos bastidores, já se comenta que as posições devem ser preenchidas por indicações da legenda.

Em contrapartida, Raquel Lyra ganhou um aliado inesperado na Assembleia Legislativa de Pernambuco: o deputado Antônio Coelho (União Brasil), presidente da Comissão de Finanças, Orçamento e Tributação e irmão de Miguel. Até pouco tempo atrás, Antônio era um dos principais opositores do governo dentro da Alepe, mas passou a sinalizar uma mudança de comportamento após a virada política da família.

Na semana passada, Antônio conduziu uma reunião que garantiu a aprovação parcial do projeto que devolve ao governo o controle de 20% do orçamento de 2026. Na segunda-feira (23), uma reunião extraordinária foi convocada para votar o parecer geral da matéria, mas o parlamentar adiou a votação para evitar que a oposição derrubasse a proposta.


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