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quinta-feira, 12 de março de 2026

Miguel Coelho no PL?

Do BLOG CENÁRIO - Américo Rodrigo
charlesnasci@yahoo.com.br

No meio político há quem defenda a filiação de Miguel Coelho ao Partido Liberal, comandado por Anderson Ferreira em Pernambuco, caso o ex-prefeito de Petrolina não consiga viabilizar sua candidatura majoritária na Federação União Progressista.

O movimento defendido seria Miguel disputar mais uma vez o Governo do Estado e Anderson Ferreira o Senado. A eventual equação contemplaria os dois grupos políticos e embolaria ainda mais o atual e complexo cenário de 2026.

A segunda possibilidade que também vem sendo ventilada seria a de Miguel disputar o Senado pela legenda numa candidatura "avulsa", sem precisar estar vinculado a algum dos projetos para o Palácio do Campo das Princesas.

A possível articulação ainda garantiria um palanque para o pré-candidato a presidente, Flávio Bolsonaro, em Pernambuco. Não custa lembrar que o PL é a legenda que dispõe de maior tempo de rádio e TV no programa eleitoral, além de um generoso fundo eleitoral.

quarta-feira, 11 de março de 2026

Silvio e Marília: uma foto, uma legenda específica para Lula e várias interpretações

Do BLOG DO AGRESTE - Alfredo Neto
charlesnasci@yahoo.com.br

Pré-candidatos ao Senado Federal, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), e a ex-deputada federal Marília Arraes (sem partido), protogonizaram, em Brasília, na terça-feira (10 de março), uma foto que tem gerado diversas interpretações
. Eles integram o grupo político do prefeito do Recife e pré-candidato a governador, João Campos (PSB), contudo, sem nenhuma garantia que vão compor a chapa majoritária nas duas vagas de candidatos à "Casa Alta".

A legenda da imagem escrita por Silvio aqueceu os bastidores. "Conversei na tarde de hoje com a amiga @mariliaarraes. Conversamos sobre o momento de Pernambuco e do Brasil. Vamos juntos fortalecer o time de Lula!", publicou Costa Filho. O fato de ter citado apenas o nome de Lula levantou interpretações entre observadores e militantes da política pernambucana.

Nos últimos dias, soaram rumores de que os dois, caso preteridos por Campos, podem aparecer na chapa da governadora e pré-candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD). Inclusive, políticos do grupo da gestora já falam abertamente sobre a possibilidade.

Lupi desembarca em Pernambuco para se reunir com Raquel Lyra e Marília Arraes

Do BLOG PONTO DE VISTA
charlesnasci@yahoo.com.br

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, desembarca nesta quarta-feira (11 de março) em Pernambuco para cumprir uma agenda que pode influenciar diretamente os rumos do partido no estado. O primeiro compromisso de Lupi será com a governadora Raquel Lyra (PSD). A expectativa é de que o encontro sirva para que o dirigente pedetista ouça da própria governadora sua avaliação sobre o cenário político de 2026 e as possíveis configurações da disputa estadual.

Após a reunião com a chefe do Executivo, Lupi deve se encontrar com a pré-candidata ao Senado Marília Arraes, que poderá ingressar nas fileiras do PDT nos próximos dias.

A visita do dirigente nacional chama atenção por ocorrer em meio às intensas especulações sobre a formação das chapas majoritárias para 2026. Nos bastidores, circula a possibilidade de o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente estadual do Progressistas, deixar o palanque da governadora para disputar o Senado na chapa do prefeito do Recife, João Campos (PSB), ao lado do senador Humberto Costa (PT).

Nesse contexto, a conversa de Lupi com Raquel Lyra e, posteriormente, com Marília Arraes, acaba alimentando os rumores de que a neta do ex-governador Miguel Arraes pode vir a integrar o palanque da governadora, ocupando uma das vagas na disputa pelo Senado.

segunda-feira, 9 de março de 2026

"Quem diz isso é débil mental"

Do BLOG DE EDMAR LYRA
charlesnasci@yahoo.com.br

O presidente estadual do União Brasil, Miguel Coelho, reafirmou sua intenção de disputar o Senado Federal nas eleições deste ano. Questionado sobre a possibilidade de ser candidato a federal junto com Fernando Filho (União Brasil) ou no lugar do irmão, Miguel foi taxativo: "Sou candidato a senador, e quem diz isso é débil mental".

domingo, 8 de março de 2026

O gesto de Raquel a Marília

Do BLOG DE EDMAR LYRA
charlesnasci@yahoo.com.br

As conversas para que a governadora Raquel Lyra e Marília Arraes possam ser candidatas na mesma chapa ainda são embrionárias através de interlocutores de ambas e carecem de uma definição sobre o futuro de Eduardo da Fonte, que caminha a passos largos para ser o senador de João Campos. Como João ainda não comunicou oficialmente esta decisão aos demais pretendentes: Miguel Coelho, Silvio Costa Filho e Marília Arraes, o entendimento segue apenas na especulação.

Pois bem, em meio a esse cenário, que poderá ter o apoio de Raquel Lyra a Lula, as chances de um entendimento entre as duas finalistas da disputa de 2022 passam a ter maior viabilidade. Mas enquanto isso não acontece, a governadora enviou um sinal de fumaça para sua ex-adversária, e permitiu que seus prefeitos declarassem apoio a Marília Arraes para o Senado.

Esse movimento pode ganhar força na próxima semana e com isso, as conversas embrionárias entre Raquel e Marília poderão prosperar.

sábado, 7 de março de 2026

Datafolha: Flávio cresce sete pontos e já empata com Lula no segundo turno

Do DIÁRIO DO PODER - Rodrigo Vilela
charlesnasci@yahoo.com.br

Pesquisa do instituto Datafolha divulgada neste sábado (7) indica que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece tecnicamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno das eleições presidenciais de 2026. No cenário testado, Lula tem 46% das intenções de voto, enquanto o parlamentar registra 43%, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

O levantamento mostra uma redução significativa da vantagem do petista em relação à pesquisa anterior, divulgada em dezembro. Naquele momento, Lula tinha 51% das intenções de voto, contra 36% de Flávio Bolsonaro.

A pesquisa ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, em 137 municípios brasileiros, entre os dias 3 e 5 de março. O estudo está registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-03715/2026 e tem nível de confiança de 95%.

Moraes apagando mensagens: triste fim do xerife das milícias digitais

Da GAZETA DO POVO
charlesnasci@yahoo.com.br

Não tem como ignorar a ironia. O ministro do STF Alexandre de Moraes, que nos últimos anos adotou linha duríssima contra o apagamento de mensagens em redes sociais, agora se vê pressionado a explicar justamente isso: conversas de WhatsApp trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro que eram apagadas após a leitura, pelos dois, para não deixar rastros.

Quem deve estar com um sorriso no rosto com tudo isso é a cabeleireira Débora Rodrigues, presa e condenada por pichar com batom a frase "Perdeu Mané" na estátua da Justiça durante os eventos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Na decisão condenatória, Moraes afirmou que ela teria apagado conteúdos do celular, o que demonstraria "desprezo ao Poder Judiciário e à ordem pública". Na prática, porém, a polícia não concluiu que ela apagou mensagens relacionadas aos atos, apenas constatou que o aparelho ficou quase dois meses sem registros.

O mundo deu suas voltas. Quem cobrava explicações rigorosas sobre mensagens apagadas precisa explicar as próprias conversas que desapareceram. Terá Moraes demonstrado desprezo ao Poder Judiciário e à ordem pública? O argumento que condenou Débora não servirá para condená-lo, e de forma ainda mais grave, por suspeita de tráfico de influência e corrupção passiva em um dos mais altos cargos da República?

VIROU MEME: "CONSEGUIU BLOQUEAR?"

Agora se sabe que Moraes e Vorcaro fizeram intensa troca de mensagens no dia em que o banqueiro foi preso pela primeira vez, em novembro do ano passado. Nos diálogos, o banqueiro demonstrava urgência e perguntava repetidamente ao ministro se havia conseguido "bloquear" algo importante. "Conseguiu bloquear?", "Alguma novidade?", insistia.

Por que Vorcaro recorreu ao ministro? Que tipo de ligações os dois tinham? Teria alguma coisa a ver com o contrato de 129 milhões de reais do Banco Master com o escritório da esposa de Moraes?

Como diz aquela frase antiga, frequentemente atribuída a Abraham Lincoln e a Winston Churchill: "Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo, ou todas por algum tempo. Mas não pode enganar todas as pessoas o tempo todo." Por certo, a opinião pública brasileira saberá julgar os fatos. E pressionará o Senado para que cumpra seu dever constitucional de votar o impeachment de ministros do STF, em caso de crimes comprovados.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Mês do troca troca

Do DIARIO DE PERNAMBUCO - Blog Dantas Barreto
charlesnasci@yahoo.com.br

De amanhã até 4 de abril, é o prazo para quem é deputado federal e estadual poder trocar de partido. Com tanta gente Brasil afora pronta para o pula pula, não dá para chamar de janela. É uma grande porteira esse período de um mês.

Tem aqueles já certos do destino, enquanto outros fazem os cálculos para escolher a melhor sigla para terem mais chances de reeleição. Muitos parlamentares pernambucanos estão pegando outros rumos, quer seja migrando para a base governista ou mesmo ficarem independentes.

Na Assembleia Legislativa, o mapa partidário mudará com as trocas. PP passará a ter 11 deputados, sendo a maior bancada. O PSB, que elegeu 13, hoje tem nove e pode permanecer com esse mesmo número. Novas legendas surgirão na Casa: PSD e Podemos, com cinco cadeiras, cada, e Novo, com uma.

Por outro lado, MDB, Psol e Solidariedade ficarão sem representantes no legislativo estadual. PSDB e PRD estudam conjuntamente uma saída para formar chapa de deputado estadual. São certas duas baixas na sigla tucana e uma no PRD. Já o União Brasil perderá quatro parlamentares e ficará com apenas um.

Entre os 25 deputados federais, seis deverão trocar de partido. Destes, três assinarão a ficha do PSD, sendo um parlamentar oriundo do PSB. A sigla socialista, no entanto, terá dois reforços. Solidariedade pernambucano ficará sem representante em Brasília e o mesmo pode ocorrer com MDB e Rede.

segunda-feira, 2 de março de 2026

A quem interessa tirar Miguel Coelho do jogo em 2026?

Do FALA PE
charlesnasci@yahoo.com.br

Na semana passada, uma barulhenta operação da Polícia Federal causou estranheza no mundo político. Os alvos foram os principais integrantes políticos da família Coelho: o ex-senador da República, Fernando Bezerra Coelho, e o deputado federal, Fernando Bezerra Coelho Filho e o ex-prefeito de Petrolina e pré-candidato ao Senado, Miguel Coelho.

A operação aconteceu com um parecer contrário da Procuradoria-Geral da República (PGR). No Estado Democrático de Direito, o Ministério Público é o titular da ação penal e o guardião da lei; quando a própria PGR se manifesta textualmente pelo indeferimento dos pedidos da autoridade policial, ficam à mostra os contornos de perseguição política pura.

Miguel Coelho é reconhecido como um dos gestores públicos mais qualificados e eficientes da sua geração. O trabalho desenvolvido por ele em Petrolina o levou a disputar o Governo de Pernambuco em 2022, com um grande desempenho nas urnas. Para o pleito atual, Miguel aparece na liderança pela disputa ao Senado Federal, segundo sondagens dos mais variados institutos.

A quem interessa sufocar uma pré-candidatura robusta como a de Miguel Coelho? Que forças políticas não querem ver o ex-prefeito disputar o Senado Federal, quando todas as fontes o colocam como um dos principais nomes para o cargo? Lógico que a participação de Miguel no cenário eleitoral tem o poder de incomodar muita gente, ainda mais por sua postura independente, que não surge a reboque de nenhuma chapa executiva.

Miguel poderia estar tanto na chapa de João Campos quanto na de Raquel Lyra, com a mesma desenvoltura e potencial. O eleitorado identifica o pré-candidato como um político de centro, realizador de obras e capaz de trabalhar com qualquer gestão. Um perfil raro de ser encontrado e que, certamente, amedronta outras candidaturas. Por isso, a pergunta que não quer calar em Pernambuco é: a quem interessa tirar Miguel Coelho do jogo em 2026?

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Flávio decolou

Do PODER360 - Marcelo Tognozzi
charlesnasci@yahoo.com.br

Estamos vivendo um ponto de inflexão na campanha presidencial que acaba de decolar. As pesquisas mostram um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, este último consolidado como o candidato da direita com chances de derrotar Lula. Esqueçam Tarcísio de Freitas, esqueçam Ratinho Junior. Não percam de vista Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Flávio só estará fora do 2º turno se acontecer uma calamidade. Sentiu o cheiro da vitória.

Há muita informação relevante nas duas pesquisas (AtlasIntel e Paraná Pesquisas) veiculadas nos últimos dias. A principal delas é que o eleitor está cansado: 52,2% dizem que Lula não merece ser reeleito, contra 43,9% que pensam o contrário. Pura fadiga de material do político que disputa eleições desde 1982. É muito tempo, 44 anos influindo na vida do país. Nem Getúlio Vargas durou tanto.

A candidatura de Lula segue sustentada pelas mulheres e pelos nordestinos, em especial os beneficiários do Bolsa Família. Embora os mais pobres sejam a base do eleitorado do presidente, brasileiros em idade produtiva (25 a 59 anos), independentemente da renda ou da escolaridade, sinalizam desejo de mudar. Estão trocando o mito do presidente operário pelo filho do capitão.

Tanto a pesquisa da AtlasIntel quanto a da Paraná Pesquisas mostram resultados semelhantes. Vou me fixar nos números da Paraná, a última delas. Nos resultados da espontânea, Lula tem 26%, enquanto Flávio marca 14,8%. Uma diferença de mais de 10 pontos? Errado: logo atrás de Flávio vem o pai Jair carregando 5,8% das intenções de voto. Esse eleitor de Jair é um eleitor com um quê sebastianista, espera o retorno do ex-presidente à campanha, algo altamente improvável.

Se Flávio é Jair e Jair é Flávio, então essa entidade tem 20,6% dos votos espontâneos, e a distância para Lula passa a ser de 6 pontos e não de 10. Nos diversos cenários do 1º turno, Flávio e os demais candidatos de direita continuam somando mais votos do que Lula. Isso explica por que Flávio está na frente na simulação do 2º turno: o eleitor, independentemente dos políticos, já entendeu em quem tem de votar para derrotar o PT. Não é por acaso que Flávio tomou votos dos outros candidatos.

Ratinho Junior também cresceu na simulação do 2º turno. É cada vez maior a vontade de grande parte do eleitorado de votar num anti-PT. Lula segue sustentado pelas mulheres (41,6%), jovens de 16 a 24 anos (45,6%) e maiores de 60 anos (43,6%). Quando lemos os resultados, descobrimos que esse apoio é mais forte no andar de baixo, com 60,8% dos que recebem Bolsa Família. Por isso, o presidente brilha entre os brasileiros com ensino fundamental: 48,1%. Entre aqueles com ensino médio ou superior, Flávio arranca mais votos, embora a vantagem ainda seja pequena.

A cada pesquisa publicada, fica mais claro o desapego do eleitorado pela 3ª via, cujo maior artífice tem sido o presidente do PSD Gilberto Kassab. Sua importância no pleito cresce. Kassab elegerá uma bancada forte na Câmara e reforçará o Senado. Mas o grande desafio de quebrar a polarização vai ficando para 2030. Outra questão é o papel do governador de Minas, Romeu Zema, em flerte com Flávio Bolsonaro. Se vingar a articulação para Zema ser o vice, estará dado um passo importante para a vitória em Minas, Estado cujo destino é ser o fiel da balança nas eleições. Candidato que não conquista Minas não conquista o Brasil. Não é dogma, é realidade. Desde a redemocratização ninguém ganhou perdendo em Minas.

A importância desse Estado, onde nem sempre as coisas são o que parecem ser, poderia ser maior se o senador Rodrigo Pacheco optasse por trazer Minas de volta ao centro do poder. Ele foi o primeiro eleito por Minas a presidir o Senado e o Congresso num hiato de mais de 40 anos. Depois de Magalhães Pinto, só ele se sentou naquela cadeira. Pacheco agora pode ser o candidato a governador de Lula, mas perdeu a grande chance de reempoderar Minas. Como dizia Ulisses Guimarães, não existe vazio de poder e, no caso dos mineiros, em vez de ir para Pacheco, o poder escorregou para as mãos do governador Zema, homem-chave dessa eleição.

Na simulação do 2º turno, Flávio derrotaria Lula por 0,6%. Existem 5% dos eleitores que não sabem em quem votar e que poderão optar por Flávio se Lula continuar caindo. Ele tinha 46,7% em outubro, quando venceria Flávio por 9 pontos de diferença. Agora o adversário está na frente por pouco. O importante aqui não é a margem estreita, mas a queda gradual e consistente de Lula. Essa tendência é clara e pode ampliar. Neste momento da campanha, a possibilidade de Flávio atrair esses 5%, ou parte deles, é real.

No sentido contrário, cresce o número de eleitores de Sudeste, Sul, Norte e Centro-Oeste convictos de que Lula não merece ser reeleito. Apenas o Nordeste quer que ele fique. Por enquanto o jogo está no começo, mas a eleição vai pegar fogo a partir de abril e será pura emoção até o fim. O governo cortou o Imposto de Renda de quem ganha R$ 5.000 e continua taxando com força alimentos, bebidas, transportes, combustíveis, eletrônicos, blusinhas e mais o que puder. Essa é uma realidade que atinge a todos. Tira com uma mão, dá com outra e tudo fica igual.

A maioria da PEA (População Economicamente Ativa) perdeu o entusiasmo por Lula. Entre os que não fazem parte da PEA, são 45% os eleitores do presidente. Brasileiros em idade produtiva têm enorme desejo de progredir e querem mudança. A prosperidade deles está órfã. Se Lula tivesse um sucessor, ele poderia ser o vetor dessa mudança. Mas não há sucessor, só mais do mesmo.

O maior erro do presidente foi não preparar sucessor. Imaginou ter vida eterna, como brincava o velho ACM de guerra se referindo ao seu amigo Roberto Marinho. Eternidade vem depois da vida como ela é aqui na Terra. Antes, nem Matusalém com suas 969 primaveras. Lula está cada vez mais parecido com o personagem do livro de García Márquez, "O General em Seu Labirinto". Um líder, por mais grandioso, acaba inevitavelmente em seu próprio labirinto, onde memória, arrependimento e finitude se confundem. Ninguém escapa disso.

Ritmo acelerado

Do Blog do Elielson
charlesnasci@yahoo.com.br

Após oito meses no comando da Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura de Pernambuco, André Teixeira vem imprimindo uma marcha mais acelerada nas obras e nas entregas da pasta. A avaliação é de que o novo compasso ajuda a dar resposta a uma das cobranças mais frequentes feitas pela oposição: transformar promessa em obra concluída.

Se mantiver essa cadência, o efeito pode respingar diretamente no saldo político da governadora Raquel Lyra, sobretudo num momento em que a vitrine das inaugurações passa a ter peso estratégico no debate eleitoral.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Próxima pesquisa deve mostrar Flávio Bolsonaro à frente de Lula pela primeira vez

Nova rodada do Paraná Pesquisas pode trazer reviravolta no cenário eleitoral; avanço do senador depende agora do eleitor de centro
Da VEJA
charlesnasci@yahoo.com.br

A próxima pesquisa do instituto Paraná Pesquisas, prevista para esta sexta-feira, 27 de fevereiro, pode trazer um dado politicamente explosivo: Flávio Bolsonaro à frente de Luiz Inácio Lula da Silva nas intenções de voto.

A informação foi antecipada pelo colunista Robson Bonin, de Radar, no programa Ponto de Vista e, se confirmada, consolidará um movimento que vem sendo observado nas últimas sondagens: crescimento contínuo do senador, sustentado sobretudo pela transferência direta de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para o especialista em opinião pública Mauro Paulino, o avanço não surpreende. "A evolução das intenções de voto em Flávio vem crescendo ininterruptamente", afirmou. Segundo ele, trata-se de um fenômeno impulsionado pelo poder de transferência de Bolsonaro — descrito como "inédito e impressionante".

A TRANSFERÊNCIA BASTA PARA SUSTENTAR A DIANTEIRA?

O impulso inicial, porém, tem limites claros. A maior parte do crescimento de Flávio decorre da consolidação do eleitorado bolsonarista tradicional. Para transformar eventual liderança em vantagem estável, o senador precisará ampliar o raio de alcance e dialogar com o eleitor que não está rigidamente alinhado à polarização.
É esse contingente — menos ideológico e mais pragmático — que costuma decidir eleições em segundo turno. Nesse contexto, ganha relevância a estratégia revelada nos bastidores: Jair Bolsonaro teria dado carta branca ao filho para conduzir a campanha como julgar necessário — inclusive com liberdade para reconhecer erros do governo passado ou construir alianças fora do núcleo duro bolsonarista.

O CARNAVAL PESOU CONTRA LULA?

Outro fator que pode ter influenciado a curva das pesquisas é a repercussão do desfile em homenagem a Lula na Sapucaí. Segundo análise feita no programa, a associação entre recursos públicos e celebração política teria causado desgaste junto ao eleitorado conservador e de centro. A imagem de festa financiada com verba pública, em contraste com dificuldades na saúde e em serviços básicos, ampliou críticas e pode ter afastado eleitores moderados — abrindo espaço para o crescimento do adversário.

O CENTRO SERÁ O FIEL DA BALANÇA?

Paulino avalia que o próximo passo será decisivo. Se Flávio conseguir manter a base herdada do pai e, ao mesmo tempo, sinalizar moderação suficiente para atrair o eleitor de centro poderá consolidar uma vantagem competitiva. Caso contrário, corre o risco de atingir rapidamente o teto da herança bolsonarista.

Uma eventual ultrapassagem de Lula, portanto, não seria apenas um dado estatístico. Representaria a consolidação de uma estratégia dupla: aproveitar a força do sobrenome Bolsonaro e, simultaneamente, tentar reduzir a rejeição associada ao governo anterior.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Um sonho

BLOG DO ALBERES XAVIER
charlesnasci@yahoo.com.br

"É um sonho de Pernambuco ter um senador jovem e preparado como Miguel Coelho". A fala é do prefeito de Surubim, Cleber Chaparral. Aliado de Miguel, Chaparral disse à Coluna que o ex-prefeito de Petrolina pleiteia apenas uma vaga de senador na chapa da governadora Raquel Lyra. "Ele não está pedindo cargos a Raquel, ele pleiteia apenas uma vaga para o Senado, apenas isso".

Raquel evita cravar apoio a Miguel para o Senado e mantém cenário em aberto na federação União Brasil–PP

Do BLOG DO ALBERES XAVIER
charlesnasci@yahoo.com.br

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), marcou presença no tradicional Bloco das Virgens, em Surubim, ao lado do prefeito Cleber Chaparral (União Brasil), em mais uma agenda carnavalesca pelo interior do estado. Em meio ao clima festivo, porém, o tom político ganhou destaque durante entrevista concedida ao Blog do Alberes Xavier e a Rede Pernambuco de Rádios.

Questionada sobre a possibilidade do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), integrar sua chapa como candidato ao Senado nas eleições deste ano, a gestora desconversou e não confirmou qualquer definição. A resposta cautelosa foi interpretada como sinal de que o tabuleiro para a disputa majoritária segue em aberto.

Atualmente, Miguel Coelho tem se colocado publicamente como pré-candidato ao Senado, movimento que conta com o respaldo do presidente nacional do seu partido, Antonio Rueda, fortalecendo sua posição dentro do União Brasil. O ex-prefeito vem intensificando agendas políticas e ampliando articulações de olho na consolidação do seu nome para a disputa.

Entretanto, o cenário se torna mais complexo diante da federação entre União Brasil e Progressistas (PP). Isso porque outro nome de peso também pleiteia o espaço na chapa: o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), que já manifestou interesse em disputar o Senado e possui forte articulação política no estado.

A indefinição pública de Raquel Lyra sinaliza prudência diante de um quadro que envolve aliados estratégicos e uma federação partidária com interesses distintos. Ao evitar antecipar qualquer decisão, a governadora manteve margem para diálogo e articulação, enquanto o xadrez político para o Senado em Pernambuco segue em plena movimentação.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

A disputa interna de Marília Arraes

Do BLOG DO AGRESTE - Alfredo Neto
charlesnasci@yahoo.com.br

Mesmo na liderança das pesquisas para o Senado, Marília Arraes (SD) vive a incerteza da candidatura na chapa do pré-candidato a governador João Campos (PSB), que representa uma das vias de oposição. Inclusive, ela própria gravou um vídeo e questionou se a situação seria a mesma, caso fosse um homem na posição dela.

Não é a primeira vez que Marília enfrenta resistência. Em 2022, precisou deixar o PT para emplacar a candidatura a governadora, mesmo pontuando bem naquela ocasião. Mais uma vez, a maior disputa da neta de Arraes é interna.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Lula não ganhou um voto a mais

Do BLOG DO MAGNO
charlesnasci@yahoo.com.br

O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói, escola que homenageou o presidente Lula (PT), foi uma derrocada anunciada. Não entendo como o petista, no estágio de uma vida extremamente bem-sucedida, cometa tamanha mancada. Na escancarada campanha eleitoral antecipada, Lula não ganhou um só voto.

Mas perdeu, especialmente dos mais diversos segmentos evangélicos, quando a escola colocou todas as igrejas cristãs numa vala comum, recorrendo a uma espécie de trocadilho (conservador/conserva). Os idealizadores da alegoria conseguiram traduzir um conceito complexo (famílias conservadoras) em uma imagem (lata de conserva), o que é um pequeno feito semiótico.

Ninguém achou graça nisso, nem em nenhum carro alegórico da escola. Inadvertidamente, Lula aceitou uma bajulação escancarada com dinheiro público, o que provocou uma reação negativa quase generalizada por parte da sociedade. Não há dúvida de que o enredo, a piada em particular, irritou grupos demográficos que ele gostaria de atrair, como os evangélicos, como já me referi.

Não dá para hiperdimensionar o episódio. Ainda faltam oito meses para a eleição. Em outubro, poucos se lembrarão da Acadêmicos ou das famílias em conserva. Lula pode até ter reforçado sua rejeição em determinados grupos, mas são estratos que dificilmente adeririam à sua candidatura.

Há ainda a frente da Justiça Eleitoral. O PT talvez até venha a ser condenado por propaganda eleitoral antecipada, mas isso só renderia uma multa que seria paga com dinheiro público. Existe, é verdade, a possibilidade de condenação por abuso de poder, que pode gerar inelegibilidade, mas ela parece remota.

Mesmo assim, é ruim para o presidente colocar-se de graça nas mãos dos ministros do TSE. Vai que, no dia do julgamento, todos acordam de mau humor. O pleito deste ano tende a ser difícil, com um leve favoritismo para o presidente. Mas, se o petista estiver disposto a perder a eleição, é só repetir o enredo deste Carnaval. Por vaidade pessoal e sem perspectiva de ganhos reais, ele se pôs em situação de risco e viu parte desses riscos se materializar.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Mico: desfile eleitoral debochado de Lula na Sapucaí rebaixa escola, que ficou em último lugar

Do DIÁRIO DO PODER
charlesnasci@yahoo.com.br

A Acadêmicos de Niterói, escola de samba responsável pelo polêmico desfile-bajulação a Lula (PT), foi rebaixada do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro em 2026. Antes mesmo do encerramento da votação, nesta Quarta-feira de Cinzas (18), a escola já ocupava a última colocação e volta para a "série B" do Carnaval da cidade no ano que vem.

A distância na pontuação foi grande para o penúltimo colocado, Mocidade. A nona colocada Tuiuti obteve 268,5 pontos, a décima, Portela, 267,9, a penúltima 267,4, distâncias apertadas por décimos de pontos, enquanto a escola que bajulou Lula conquistou apenas 264,6 pontos.

Primeira a desfilar no domingo (15), na Marquês de Sapucaí, a escola recebeu apenas duas notas 10 nos nove quesitos avaliados. O desfile concentrou-se na trajetória política de Lula e provocou grande polêmica, acusada de servir apenas como propaganda eleitoral antecipada em pleno ano eleitoral.

Desfile sobre Lula no Carnaval ataca famílias e evangélicos

De O TEMPO - Alexander Barroso
charlesnasci@yahoo.com.br

O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, apresentado na Marquês de Sapucaí no domingo (15 de fevereiro), provocou forte reação ao exibir alas que colocavam evangélicos e a chamada "família tradicional" dentro de latas de conserva, gesto interpretado como desrespeito à fé cristã e um ataque direto a valores religiosos. As fantasias traziam rótulos como "Evangélico de Conserva", "Crente Conservador", "Suco de Ódio" e "Falso Moralista", acentuando o tom pejorativo percebido por lideranças e fiéis.
Ofensa em território decisivo — e para um público decisivo

A repercussão se tornou ainda mais significativa porque o episódio ocorreu justamente no Rio de Janeiro, um dos estados mais politicamente disputados do país e onde o voto do público evangélico — numeroso, organizado e altamente mobilizado — costuma ser decisivo em eleições nacionais e locais. Embora as fontes jornalísticas não tratem diretamente desse aspecto eleitoral, elas confirmam que o alvo da sátira foram os evangélicos, um grupo que reagiu fortemente ao ocorrido.

Ao atacar simbolicamente um segmento tão expressivo e sensível, o desfile acabou sendo interpretado como um tiro no pé, sobretudo em um cenário de alta polarização, no qual qualquer gesto percebido como ofensivo a uma comunidade religiosa pode gerar custos políticos significativos.

REAÇÕES IMEDIATAS: LÍDERES CRISTÃOS E POLÍTICOS FALAM EM PRECONCEITO RELIGIOSO

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, denunciou o caso como "preconceito religioso" e anunciou intenção de acionar a Justiça, destacando que "ridicularizar a fé de milhões de brasileiros é preconceito religioso". A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que a "fé cristã foi exposta ao escárnio". A Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional (FPE) emitiu uma Nota de Repúdio.

"A Frente Parlamentar Evangélica manifesta seu mais veemente repúdio à Escola de Samba Acadêmicos de Niterói pela conduta desrespeitosa e afrontosa apresentada neste Carnaval. É inadmissível que o direito à manifestação cultural seja distorcido para promover o escárnio contra a fé cristã e o deboche aberto aos valores conservadores que sustentam a nossa sociedade. A liberdade de expressão não é um salvo-conduto para o vilipêndio religioso nem para a perseguição ideológica institucionalizada."

Lideranças cristãs e juristas evangélicos reforçaram a acusação de "cristofobia", alegando que a encenação desumanizava milhões de fiéis ao retratá-los como mercadoria.

SÁTIRA QUE VIROU CRISE: QUANDO A ARTE ULTRAPASSA OS LIMITES

A Acadêmicos de Niterói justificou a ala como crítica ao "aprisionamento ideológico", mas o efeito foi amplamente negativo. A metáfora da lata de conserva — inicialmente proposta como sátira social — foi percebida como ataque direto à espiritualidade e à identidade de uma comunidade religiosa numerosa e influente.

A controvérsia acabou obscurecendo o enredo em homenagem ao presidente Lula, transformando o que deveria ser uma celebração artística em um episódio de forte desgaste público. Críticas destacam que a escola, ao tentar produzir impacto, acabou provocando divisão, sobretudo por atacar um grupo que representa força cultural e eleitoral expressiva no país.

E SE FOSSE COM OUTRAS RELIGIÕES?

A polêmica também levantou um questionamento recorrente entre líderes religiosos e comentaristas: como seria a reação se o mesmo tipo de sátira fosse direcionado a outras religiões, como judaísmo, islamismo, religiões de matriz africana ou mesmo espiritualista
s? No caso concreto, a ala das "latas de conserva" mirou especialmente evangélicos, conforme amplamente registrado nas reportagens que descreveram fantasias rotuladas como "Evangélico de Conserva" e "Crente Conservador".

A comparação hipotética reforça o argumento de que o desfile teria ultrapassado o limite do humor carnavalesco ao personificar um grupo religioso específico como objeto de desprezo, e que o tratamento seria considerado inaceitável se dirigido a minorias religiosas historicamente protegidas contra intolerância. Diversas autoridades políticas classificaram o episódio como "preconceito religioso" e "escárnio à fé cristã", destacando justamente essa discrepância.

Essa pergunta — "e se fosse com outra religião?" — tornou-se central na reação pública, usada para ilustrar que, quando se trata de crença, o respeito deveria ser uniforme, independentemente de qual grupo esteja no alvo.

CONCLUSÃO: UM TIRO NO PÉ EM PLENA SAPUCAÍ

O caso deixa lições claras: em um estado politicamente estratégico como o Rio de Janeiro e atingindo um público altamente relevante como o dos evangélicos, uma sátira mal calibrada pode transformar arte em crise.
O desfile, que pretendia provocar reflexão, acabou reforçando tensões e sendo lido como uma ofensa gratuita, ampliando o desgaste e sendo visto por analistas e lideranças cristãs como um erro estratégico com consequências políticas.

Além da forte reação de lideranças cristãs e conservadoras ao episódio das "latas de conserva", a polêmica ganhou ainda mais peso após declarações do ex-marqueteiro do PT, João Santana, um dos nomes mais influentes das campanhas presidenciais de Lula no passado.

Em entrevista em vídeo publicada em seu perfil oficial no Instagram, Santana criticou a decisão de Lula e sua equipe de participar ativamente do Carnaval no Rio de Janeiro, classificando a estratégia como arriscada e potencialmente danosa. Segundo ele, a presença do presidente e da primeira-dama na Sapucaí — especialmente diante da polêmica envolvendo evangélicos, um público eleitoralmente sensível — poderia "sair pela culatra", gerando prejuízo político em vez de ganhos.

Santana enfatizou que o Carnaval, por sua natureza irreverente e crítica, costuma desconstruir mais do que construir imagens públicas, alertando que essa exposição tende a provocar desgaste em regiões onde Lula enfrenta maior resistência, inclusive entre o eleitorado evangélico.

Esculacho de Lula na Sapucaí fez pouco do dinheiro público, da lei e do TSE

Do DIÁRIO DO PODER - Cláudio Humberto
charlesnasci@yahoo.com.br

No Carnaval do Rio destaca este ano a face sombria da politicagem mais rastaquera. Escola de samba irrelevante, regiamente paga com dinheiro público (R$ 10,3milhões), degenerou uma celebração cultural em propaganda eleitoral, violando abertamente a Lei e com isso expondo ao deboche à Justiça Eleitoral. E o Tribunal Superior Eleitoral em particular, que, mais uma vez, inclina-se a fechar os olhos à esquerda. Como a lembrar que, se a lei eleitoral é para todos, parece valer só para alguns.

CARNAVALIZANDO O ÓDIO

O carnaval dos marqueteiros se dedicou a tripudiar sobre adversários e a bajular o governo, ignorando os escândalos de corrupção da era Lula.

COVARDIA ALEGÓRICA

O esculacho lulista incluiu até os evangélicos, até porque sabia que, por convicção religiosa e assepsia, eles não estariam lá para reagir.

LADO ESTÁ DEFINIDO

Ao ignorar alertas de abuso de poder político e econômico, a Justiça Eleitoral pareceu sugerir de que lado está, e estará em outubro.

PAGUE A CONTA, CIDADÃO

Como alegoria final do deboche, Lula fechou o desfile na avenida como se quisesse destacar: isto aqui é mesmo promoção pessoal, mas e daí?

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Culto na Sapucaí a Lula: deboche do TSE e obsessão com Bolsonaro

Da GAZETA DO POVO - Marcos Tosi
charlesnasci@yahoo.com.br

Um recorde foi batido na abertura do desfile do Grupo Especial das Escolas de Samba do Carnaval do Rio de Janeiro: a Acadêmicos de Niterói emplacou 79 minutos de propaganda política ininterrupta para Lula em rede nacional de TV, algo nunca visto na história do horário eleitoral do país. Nas eleições de 2022, por exemplo, o então candidato Lula teve cerca de 7 minutos diários de televisão em três dias da semana, no primeiro turno, e 10 minutos no segundo turno.

Dividindo o tempo de desfile pela duração do samba-enredo, os puxadores da escola cantaram a letra completa doze vezes repetidas; a cada volta da música, o refrão "olê, olê, olá, Lula, Lula" era entoado seis vezes. Ou seja, no total, o slogan eleitoral do petista foi repetido 72 vezes para as milhares de pessoas na Sapucaí e milhões de brasileiros em rede nacional de TV.

Não houve surpresa na cantoria chapa-branca e na bajulação explícita, pois desde logo essa intenção estava anunciada na letra do samba-enredo, recheado de slogans de campanha ("o amor venceu o medo", "olê, olê, olá, Lula, Lula") e referências ao número do partido ("por ironia, treze noites, treze dias"), além de um punhado de outras louvações ao grande líder ("meu sobrenome é Brasil da Silva", "no choro de Luiz, a luz de Garanhuns") típicas de regimes de caudilhos populistas.
OBSESSÃO COM JAIR BOLSONARO

Por coincidência, como se Lula fosse um predestinado, a marchinha do carnaval de 1945, ano em que ele nasceu, já antevia os dias de hoje, com a letra: "Lá vem o cordão dos puxa-sacos dando vida aos seus maiorais; quem está na frente é passado para trás, e o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais".

O que causou algum espanto, em carros alegóricos e representações, foi a intensidade da obsessão em atacar o ex-presidente Jair Bolsonaro. O deboche começou já no carro alegórico que abriu o desfile. Sem demérito para crianças e adolescentes, lembrou peça colegial de 5ª série: os petistas encenaram um teatrinho em que Lula passava a faixa presidencial para Dilma Roussef, e depois essa faixa era roubada por Michel Temer, que, por fim, a colocava no pescoço do palhaço Bozo, representando Bolsonaro.

O ex-presidente foi achincalhado em vários momentos; quase no fim do desfile, ele apareceu como um boneco gigante, atrás das grades, novamente com cara de palhaço, mas desta vez com roupa de presidiário e tornozeleira eletrônica.
ATAQUE À FAMÍLIA, À BÍBLIA E AO AGRO

Não bastava zombar de Bolsonaro, era preciso espezinhar também seus apoiadores. No carro alegórico "Conservadores em Conserva", além de Bolsonaro retratado com trajes do Exército e nariz de palhaço, a escola atacou a Direita, com componentes fantasiados de latas e xícaras ridicularizando a Bíblia, os evangélicos e o agronegócio. Em linha com o samba-enredo que berrava "sem temer tarifas e sanções", a escola cutucou a um só tempo a Direita brasileira e o presidente americano Donald Trump, com uma ala de foliões vestidos nas cores da bandeira americana, com estampas e orelhas do Mickey e o boné MAGA ("Make America Great Again", slogan do republicano).

Lula, claro, estava onipresente. Apareceu numa coleção de fotos em telões de LED (um dos recursos artísticos mais pobres do desfile), foi representado pelo mestre-sala com chapéu de cangaceiro, e virou até músico, em bonecos gigantes com a cara dele, tocando acordeão e viola.
POSE DE TIRANO, COM PUNHO CERRADO

Contudo, a imagem que sintetizou a "Republiqueta das Bananas do Brasil" ficou mesmo para o último carro alegórico: um bonecão de Lula sozinho, com a mão direita levantada e o punho cerrado. Impossível não lembrar as estátuas de tiranos contemporâneos, como Saddam Hussein e Kim Jon-un, ou de décadas atrás, como Joseph Stalin e Benito Mussolini, ou mais antigos ainda, como Nabucodonozor, da Babilônia.

Cúmplice e senhor da festa, Lula fez pouco caso do conselho de seus auxiliares para não descer do camarote a fim de evitar complicações eleitorais: ao final do desfile, ele foi até a pista trocar sorrisos e abraços com os diretores da escola. Em toda essa festa paga com dinheiro público, há quem diga que os carnavalescos mandaram uma mensagem subliminar ao reproduzirem um grande lagarto balançando a língua para as arquibancadas. Até um sapo apareceu no zoológico petista da Sapucaí, tornando impossível não recordar o apelido dado por Leonel Brizola ao homenageado: "sapo barbudo".
DIRETOR DA BATERIA FAZ O "L" EM REDE NACIONAL

É mais provável que a reprodução do lagarto linguarudo e do sapo gordo tenham sido um deslize, um ato falho. Nas alegorias dos petistas, afinal, tudo estava muito explícito. Teve ala de passistas com roupa toda vermelha e estrela do PT no peito; para não deixar dúvidas, o diretor da bateria, Mestre Branco Ribeiro, fez o L em rede nacional, ao receber um "close" da câmera que transmitia o evento pela TV.

"Não há como dourar a pílula, nós estamos diante de abuso de poder econômico ou político manifesto, em que a gravidade das circunstâncias é palmar. É a maior festa popular do Brasil, veiculada por concessões públicas fazendo propaganda eleitoral antecipada com recursos públicos. Mais absurdo do que isso, impossível", aponta o jurista Adriano Soares da Costa.

No carro "O Brasil mudou de cara", faltou coragem aos carnavalescos de levar para a avenida uma das principais promessas do petista. Numa mesa de jantar, estavam um porco e um frango sobre bandejas. Nada de picanha, essa, afinal, é produzida em pouca escala e só chega ao pessoal dos camarotes VIPs. A propósito dos camarotes, Lula encheu com 500 convidados dois camarotes cedidos pela prefeitura do Rio de Janeiro, em um claro uso político-partidário de uma estrutura pública mantida com dinheiro do contribuinte.
LULA FRANKENSTEIN, O PIOR CARRO ALEGÓRICO

Neste desfile escatológico, o título de pior carro alegórico iria facilmente para um dos últimos a cruzar a passarela, que retratou Bolsonaro com cara de palhaço, vestes de presidiário e tornozeleira eletrônica. Mas um outro talvez tenha sintetizado de forma melhor todo o espírito da noite de bajulação, desprezo e zombaria. Nele aparece um Lula feito de lata, com cabeça cheia de parafusos, faixa de presidente ao peito e os dois braços estendidos para frente, como o próprio Frankenstein. Abaixo dele, caldeiras derretem algum metal, em cor dourada. A tradução perfeita do vampirismo de Lula e do PT sobre o Brasil, seu povo e suas riquezas.

"Isso pode ter um efeito rebote na eleição municipal. Os prefeitos vão ter passe livre em ano de eleição, nas festividades do município com carnaval, para despejar dinheiro do orçamento municipal em showmícios antecipados? Se o Lula pode, por que o resto não pode? Há uma violação expressa dos princípios da moralidade, impessoalidade e desvio de finalidade", avalia Adriano Soares da Costa, ex-juiz de Direito e autor do livro "Instituições do Direito Eleitoral".

Com a palavra, o TSE.