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sábado, 19 de junho de 2021

Meio milhão de mortes por Covid carrega marca da desigualdade do Brasil


Da CNN BRASIL - João Luiz Sampaio
charlesnasci@yahoo.com.br

O número de meio milhão de mortos pela 
Covid-19 no Brasil tem o carimbo da desigualdade social e econômica. Mesmo que a pandemia não possa ser responsabilizada por um problema histórico do país, a relação entre doença e desigualdade, afirmam pesquisadores, ajuda a compreender os caminhos do vírus e suas consequências, além de colocar em risco o futuro de uma geração de brasileiros. A marca de 500 mil mortes foi ultrapassada neste sábado. Nesse cenário, entender como a fragilidade social e econômica acentua o risco sanitário é enxergar que pobres são mais afetados pela crise do que ricos, em diversos aspectos. Sofrem mais com ela. E levam mais tempo para se recuperar.

"Historicamente, momentos de pandemia ou de epidemia expõem e aprofundam as desigualdades de uma sociedade", diz a professora Marcia de Castro, do Departamento de Saúde Global e População da Universidade de Harvard. Essa não é uma realidade exclusiva do Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, a economia mais forte do planeta, há uma proporção maior de casos e mortes entre a população negra, latina e indígena. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) calcula que, ao se ajustar as estatísticas por idade, índios, negros e latinos têm de duas a três vezes mais chance de morrer de Covid-19 do que brancos nos EUA.

Por aqui, o contexto da desigualdade inclui, além da questão racial, problemas específicos como condições informais de trabalho, a existência de favelas com estrutura de moradia precária, um profundo déficit educacional, entre outros. A maior comorbidade é viver num país com tantas iniquidades.

Foi essa a conclusão a que chegou uma 
pesquisa do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), publicada em abril na revista Lancet. "Quando a pandemia surgiu, a questão etária parecia determinar um perfil claro de risco. Com o tempo, fomos percebendo um padrão segundo o qual a doença, em vez de se espalhar por lugares com estrutura etária mais avançada, passou a se tornar um problema maior em locais socialmente vulneráveis, independentemente da presença de pessoas mais velhas", afirma Rudi Rocha, pesquisador-chefe do IEPS e professor associado da Fundação Getúlio Vargas (FGV/SP).

Falar em desigualdade social é falar de uma série de contextos específicos. É algo que o pagamento de um auxílio emergencial, por exemplo, pode amenizar, mas não tem o potencial de resolver. A ajuda governamental evitou que pessoas morressem de fome. Mas desigualdades como a de renda e de acesso a serviços públicos cresceram no período da pandemia.

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