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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Pernambuco tem ao menos 233 orelhões em 78 cidades que serão retirados das ruas

De O PODER
charlesnasci@yahoo.com.br

A era dos orelhões, cabines telefônicas bastante populares no Brasil até a chegada dos smartphones, vai acabar a partir deste mês. Os famosos telefones públicos que chegaram a ser um símbolo nacional começaram a ser retirados definitivamente das ruas de todo o Brasil em janeiro.

OS ORELHÕES DE PERNAMBUCO

De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), os 38 mil aparelhos que ainda existem no país serão retirados das ruas até 2028. Quase metade dos 184 municípios de Pernambuco ainda têm telefones públicos que funcionam com ficha. Conforme os dados da agência reguladora, há, ao menos, 233 cabines em 78 cidades, o que corresponde a 42% do total.

Segundo a Anatel, a retirada se dará por etapas. Primeiro, serão removidas as carcaças e as cabines desativadas, que são cerca de 4 mil. Nos locais onde não há sinal de celular disponível, os orelhões serão mantidos por mais tempo, mas só até o fim do prazo estabelecido pelo governo. A ideia é que as empresas de telefonia parem de manter as cabines e passem a investir mais na expansão da rede móvel.

MAIOR NÚMERO

Segundo o levantamento da Anatel, o município pernambucano que tem o maior número de orelhões é Petrolina, no Sertão, com 17 aparelhos. Em segundo lugar, vem Exu, também no Sertão, com dez cabines. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), 38 mil aparelhos ainda permanecem no território nacional. Quase indispensáveis no passado, os orelhões se tornaram praticamente obsoletos com a popularização dos celulares. A retirada começa agora porque, no ano passado, acabaram as concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos aparelhos.

ESSENCIAIS

Por muito tempo os orelhões foram essenciais para a comunicação dos brasileiros, especialmente entre os anos 1970 e o começo dos anos 2000, quando ainda não existia o telefone celular. Facilitavam contatos urgentes, ajudavam a construir histórias, serviam como ponto de encontro e, muitas vezes, eram o único meio de falar com alguém fora de casa. Foi ali, ao ouvir o clássico "chamada a cobrar", que muita gente esperava ansiosa até cair a ficha — literalmente — para completar a ligação.

FORMATO DE OVO

Essa icônica cabine telefônica em formato de ovo, que chegou a ter mais de 50 mil unidades espalhadas pelo país, foi projetada por uma arquiteta que nasceu na China, mas viveu a maior parte da vida no Brasil. Cabines telefônicas existiam em outros países, mas a criação da arquiteta, enquanto trabalhava em uma companhia telefônica, se tornou icônica pelo seu design, reproduzido em outros países como Peru, Angola, Moçambique e China. Criado pela sino-brasileira Chu Ming Silveira enquanto trabalhava em uma companhia telefônica, o orelhão surgiu em 1971. Inicialmente, o aparelho tinha outros nomes, como Chu I e Tulipa