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domingo, 17 de maio de 2026

"Somos corajosos. Isso faz parte do nordestino", diz pernambucana que se tornou a 1ª mulher general do Exército

Do DIARIO DE PERNAMBUCO
charlesnasci@yahoo.com.br

"Se essa minha história, essa minha trajetória puder inspirar outras pessoas, outras mulheres, porque muitas estão vindo aí também, isso já vai me deixar muito feliz". Foi assim que a General de Brigada Médica, Claudia Lima Gusmão Cacho, de 57 anos, resumiu o significado de se tornar a primeira mulher a alcançar o posto de oficial-general no Exército Brasileiro.

A reportagem do Diario de Pernambuco esteve, na manhã da última sexta-feira (15 de maio), no Quartel-General do Comando Militar do Nordeste (CMNE), no bairro do Curado, na Zona Oeste do Recife. E conversou, com exclusividade, com a oficial sobre a construção da sua trajetória, o pioneirismo feminino, o papel institucional do Exército e a importância da manutenção da instituição como uma entidade de Estado e apartidária.

Natural de Pernambuco, Claudia destacou que carrega consigo características que associa à identidade nordestina: coragem, disposição para enfrentar desafios e vontade de desbravar caminhos. "Somos corajosos. Isso faz parte do nordestino mesmo. Temos a nossa coragem, a vontade de enfrentar e superar desafios", afirmou.

DA MEDICINA AO GENERALATO

Médica pediatra, Claudia Lima Gusmão Cacho ingressou no Exército Brasileiro em 30 de janeiro de 1996, como oficial temporária do 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Goiânia, no estado de Goiás. Sem tradição militar na família, ela contou que conheceu a vida militar após o casamento com um oficial do Exército e viu na carreira a possibilidade de conciliar a profissão médica com as peculiaridades das missões e movimentações da força.

"Minha família toda era civil. Eu não conhecia nada da vida militar. Foi uma oportunidade de conciliar a minha vida profissional com essa peculiaridade da carreira, das movimentações e das missões", disse. Após dois anos como militar temporária, a médica foi aprovada no Concurso de Admissão para a Escola de Saúde do Exército, concluindo o Curso de Formação de Oficiais Médicos em 1998, quando passou a integrar a carreira efetiva da instituição.

"A gente não entra pensando: 'vou sair general'. A gente entra para fazer a carreira, passar pelos postos e graduações. Isso é um processo longo", afirmou. Ao longo de quase três décadas de serviço, a oficial atuou em organizações militares de diversas regiões do país, consolidando trajetória na área de Saúde Operacional e Hospitalar.

Entre as funções exercidas, comandou o Hospital de Guarnição de Natal, no Rio Grande do Norte, e o Hospital Militar de Área de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Atualmente, ocupa o cargo de diretora do Hospital Militar de Área de Brasília. A ascensão ao posto de General de Brigada ocorreu em 1º de abril deste ano, durante solenidade realizada no Comando do Exército, em Brasília.

Segundo o Exército, a promoção ao oficialato-general ocorre após criterioso processo conduzido pelo Alto-Comando da Força, levando em consideração tempo de serviço, mérito profissional, desempenho em funções de comando e Estado-Maior, além da conclusão de cursos obrigatórios de altos estudos militares.

PIONEIRISMO FEMININO

Durante a entrevista, Claudia também falou sobre a incorporação das 75 primeiras mulheres soldados ao serviço militar em Pernambuco, que ocorreu após a cerimônia de entrega das boinas na noite da sexta (15), no Comando da 7ª Região Militar. Ela classificou o momento como histórico para a instituição.

"Mais de 30 mil jovens mulheres se inscreveram no Brasil todo para ingressar como pioneiras. Elas estão conhecendo a força e podem construir uma carreira dentro dela", afirmou. A oficial ainda incentivou as novas militares a seguirem carreira no Exército. "Se elas têm amor pela farda, gostam de servir e de fazer a diferença, que se capacitem física e intelectualmente. Elas podem ser muito felizes na carreira", declarou.

EXÉRCITO APARTIDÁRIO

Ao abordar o cenário político nacional e os episódios recentes envolvendo as Forças Armadas, a general defendeu a manutenção do Exército como uma instituição de Estado e apartidária. "O Exército vai se manter como uma instituição de Estado permanente e apartidária", afirmou. Segundo Claudia, a politização da instituição é prejudicial à missão constitucional desempenhada pelas Forças Armadas.

"A politização é ruim porque o Exército é uma instituição apartidária. Os militares têm direito ao voto e cada um tem a sua opinião, mas a instituição precisa permanecer assim", declarou. Ela ressaltou que o papel da força é atuar na defesa da pátria e no apoio à população, citando operações desenvolvidas em diversas regiões do país. "O Exército está sempre em ação. Estamos no carro-pipa, em ações de saúde, educação, apoio em áreas isoladas da Amazônia, na Operação Acolhida e em diversas outras missões", disse.

Confira a entrevista completa clicando aqui.