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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Filme sobre Noé da Ciranda é selecionado para o Festival Guarnicê, um dos mais tradicionais do cinema brasileiro

Da REDAÇÃO
charlesnasci@yahoo.com.br

O curta-metragem Noé da Ciranda, dirigido pelo cineasta João Marcelo, foi selecionado para a 49ª edição do Festival Guarnicê de Cinema, no Maranhão, um dos mais antigos e importantes eventos cinematográficos do Brasil. A produção integra a mostra paralela "Ancestralidades e Futuros", que reúne obras de diferentes regiões do país voltadas à reflexão sobre identidade, memória, cultura e questões sociais contemporâneas.

Com 12 minutos de duração, o documentário presta uma homenagem ao Mestre Noé da Ciranda, ícone da cultura popular de Surubim, falecido em 30 de setembro de 2025. Agricultor, poeta e cirandeiro, morador da comunidade de Lagoa Queimada, próxima ao Diogo, na divisa com o município de Casinhas, Noé transformou o cotidiano em poesia e música, improvisando versos nas feiras livres do interior e mantendo viva a tradição da ciranda em Pernambuco.

Promovido pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por meio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC) e da Diretoria de Assuntos Culturais (DAC), o Festival Guarnicê será realizado entre os dias 20 e 26 de agosto de 2026, em formato híbrido. Ao todo, foram selecionados 103 filmes de 24 estados brasileiros, distribuídos em nove mostras de contexto e cinco mostras tradicionais, contemplando diferentes formatos e linguagens.

O filme retrata a trajetória, a obra e a poesia de improviso de Mestre Noé, uma das figuras mais emblemáticas da cultura popular do Agreste pernambucano. Reconhecido por sua voz marcante e por suas composições que exaltavam a natureza, os passarinhos e as tradições nordestinas, o artista deixou um legado que segue vivo por meio de sua família e da Ciranda Rosa Branca.

Veja teaser do filme:
Em entrevista à Rádio Integração FM, o diretor João Marcelo destacou o simbolismo da nova seleção, especialmente em pleno período junino. "É um presente, em pleno mês do São João, estar escutando sua voz e sua ciranda, e saber que Noé não deixou apenas nove CDs gravados, com mais de 100 composições. Ele deixou uma semente plantada, que é a Ciranda Rosa Branca, que seus filhos e netos estão dando prosseguimento e levando o nome de Surubim", afirmou.

O cineasta também celebrou a trajetória do documentário nos festivais pelo país e comparou a nova seleção aos versos cantados pelo mestre surubinense. "E agora o documentário voa mais uma vez, igualmente os passarinhos que Noé tanto gostava de cantar em seus versos. Dessa vez para São Luís do Maranhão. Aonde o Mestre estiver, sei que ele está contente, pois sua arte está sendo divulgada. É uma honra enorme representar o cinema pernambucano neste que é um dos mais antigos e importantes festivais do Brasil", declarou.

A participação no Guarnicê amplia a trajetória de reconhecimento nacional do curta. Noé da Ciranda já foi exibido no Festival de Cinema de Triunfo (PE), onde recebeu Menção Honrosa do Público, além de ter sido selecionado para o Comunicurtas, em Campina Grande (PB), para o Festival de Cinema de Campos do Jordão (SP) e para o Cine Educa Bonito, no município de Bonito (PE). O filme também conquistou o prêmio de Melhor Trilha Sonora no Curta Taquary, em Taquaritinga do Norte (PE), e no Cine Tela Livre, em Toritama (PE).


Premiado nacionalmente com o Kikito de Ouro, principal troféu do Festival de Cinema de Gramado, pelo documentário Cabocolino, o surubinense João Marcelo volta a projetar Pernambuco no cenário audiovisual brasileiro. Com Noé da Ciranda, o cineasta transforma em cinema a memória e o legado de um dos maiores ícones da cultura popular de Surubim, perpetuando sua arte para as futuras gerações.