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terça-feira, 20 de outubro de 2026

CEO da Real Time: "Missão de Lula é difícil; tendência é Flávio ser eleito"

Especialista explica que a liderança de Flávio Bolsonaro pode ser explicada pelo sentimento de antipetismo dos eleitores
Do METRÓPOLES
charlesnasci@yahoo.com.br

O cientista político Bruno Soller, CEO do instituto de pesquisas Real Time Big Data, avalia como "extremamente difícil" a missão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de virar os votos e conseguir vitória no segundo turno das eleições. Em entrevista ao Acorda, Metrópoles, nesta terça-feira (20.10), Soller explicou as tendências que, segundo ele, indicam a vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida ao Palácio do Planalto.

Nesta segunda, um novo levantamento do Real Time mostra o senador com 52% dos votos válidos, enquanto o petista aparece com 48%. Embora ambos estejam empatados tecnicamente, no limite da margem de erro, Soller vê a vantagem de Flávio praticamente consolidada.

"A missão do presidente Lula fica extremamente difícil. Porque ele precisa recuperar os votos desse eleitorado que votou por mudança. Todas as pesquisas de opinião [mostram Flávio e Lula] a três pontos, um ponto, ou empatados. Mas todas elas apontam para uma tendência: que é a consolidação do Flávio Bolsonaro em primeiro lugar contra o presidente Lula", avalia Soller. Para o especialista, a liderança de Flávio é explicada pelo sentimento de antipetismo da população. 

"Tentou-se vários candidatos, mas ninguém conseguiu. E acabou sobrando para o eleitor a única alternativa [Flávio] para tentar vencer o Lula. E o eleitor faz um voto pragmático para o Flávio Bolsonaro", ressalta. "O que aconteceu: boa parte desse eleitor já fez um voto pragmático no primeiro turno, e o Flávio terminou na frente. Ou seja, quando acontece isso e o Flávio vai para o segundo turno já em vantagem, e que ainda teve um rescaldo dos candidatos, a missão do presidente Lula fica extremamente difícil", emenda.

FATORES: STF E INSATISFAÇÃO

Segundo Soller, os recentes escândalos envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) foram determinantes para o voto de parte da população. "Desde o final do primeiro tuno para cá, o que a gente tem de grande mudança: o episódio do Supremo Tribunal Federal. Naquele momento, boa parte do eleitor que buscava alternativa na disputa resolve concentrar os seus votos em Flávio Bolsonaro na tentativa única e exclusiva de propor uma mudança para o país
", observa.

O CEO ainda destaca que, dentro das pesquisas, um dos principais pontos a serem analisados é o quanto as pessoas estão satisfeitas ou não com o governo. "E esse é o grande drama do presidente Lula: as pessoas estão mais insatisfeitas do que satisfeitas com seu governo. E com essa maioria de insatisfação, há uma busca por uma candidatura oposicionista. Tentou-se vários candidatos, mas ninguém conseguiu ser uma amálgama desse voto. E o eleitor faz um voto pragmático para o Flávio Bolsonaro", explica.

VOTOS POR REGIÃO

Bruno Soller aponta o desafio do candidato à reeleição no Sudeste, que tem os maiores colégios eleitorais do país e a maioria concentrou seus votos em Flávio Bolsonaro. "Agora a grande chave para essa eleição — como não pode deixar de ser — até porque 42% está concentrado nessa região, é o Sudeste, e foi o grande drama para o Lula, porque ele perdeu de 10% de vantagem em SP, perdeu 10% no Rio de Janeiro, perdeu quase 12% no Espírito Santo e 3% em Minas Gerais", explicou.

Os resultados das eleições de 2026 mostram que Lula perdeu cerca de 1,7 milhão de votos em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais em comparação ao primeiro turno da eleição de 2022. "Ou seja, nos quatro estados da Região Sudeste, isso significa quase 6 milhões de votos a mais para o Flávio nessa região. O Sudeste é a região mais importante do país do ponto de vista eleitoral", conclui Soller.