Do METRÓPOLES
charlesnasci@yahoo.com.br
O cientista político Bruno Soller, CEO do instituto de pesquisas Real Time Big Data, avalia como "extremamente difícil" a missão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de virar os votos e conseguir vitória no segundo turno das eleições. Em entrevista ao Acorda, Metrópoles, nesta terça-feira (20.10), Soller explicou as tendências que, segundo ele, indicam a vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida ao Palácio do Planalto.
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O cientista político Bruno Soller, CEO do instituto de pesquisas Real Time Big Data, avalia como "extremamente difícil" a missão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de virar os votos e conseguir vitória no segundo turno das eleições. Em entrevista ao Acorda, Metrópoles, nesta terça-feira (20.10), Soller explicou as tendências que, segundo ele, indicam a vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida ao Palácio do Planalto.
Nesta segunda, um novo levantamento do Real Time mostra o senador com 52% dos votos válidos, enquanto o petista aparece com 48%. Embora ambos estejam empatados tecnicamente, no limite da margem de erro, Soller vê a vantagem de Flávio praticamente consolidada.
"A missão do presidente Lula fica extremamente difícil. Porque ele precisa recuperar os votos desse eleitorado que votou por mudança. Todas as pesquisas de opinião [mostram Flávio e Lula] a três pontos, um ponto, ou empatados. Mas todas elas apontam para uma tendência: que é a consolidação do Flávio Bolsonaro em primeiro lugar contra o presidente Lula", avalia Soller. Para o especialista, a liderança de Flávio é explicada pelo sentimento de antipetismo da população.
"A missão do presidente Lula fica extremamente difícil. Porque ele precisa recuperar os votos desse eleitorado que votou por mudança. Todas as pesquisas de opinião [mostram Flávio e Lula] a três pontos, um ponto, ou empatados. Mas todas elas apontam para uma tendência: que é a consolidação do Flávio Bolsonaro em primeiro lugar contra o presidente Lula", avalia Soller. Para o especialista, a liderança de Flávio é explicada pelo sentimento de antipetismo da população.
"Tentou-se vários candidatos, mas ninguém conseguiu. E acabou sobrando para o eleitor a única alternativa [Flávio] para tentar vencer o Lula. E o eleitor faz um voto pragmático para o Flávio Bolsonaro", ressalta. "O que aconteceu: boa parte desse eleitor já fez um voto pragmático no primeiro turno, e o Flávio terminou na frente. Ou seja, quando acontece isso e o Flávio vai para o segundo turno já em vantagem, e que ainda teve um rescaldo dos candidatos, a missão do presidente Lula fica extremamente difícil", emenda.
FATORES: STF E INSATISFAÇÃO
Segundo Soller, os recentes escândalos envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) foram determinantes para o voto de parte da população. "Desde o final do primeiro tuno para cá, o que a gente tem de grande mudança: o episódio do Supremo Tribunal Federal. Naquele momento, boa parte do eleitor que buscava alternativa na disputa resolve concentrar os seus votos em Flávio Bolsonaro na tentativa única e exclusiva de propor uma mudança para o país", observa.
O CEO ainda destaca que, dentro das pesquisas, um dos principais pontos a serem analisados é o quanto as pessoas estão satisfeitas ou não com o governo. "E esse é o grande drama do presidente Lula: as pessoas estão mais insatisfeitas do que satisfeitas com seu governo. E com essa maioria de insatisfação, há uma busca por uma candidatura oposicionista. Tentou-se vários candidatos, mas ninguém conseguiu ser uma amálgama desse voto. E o eleitor faz um voto pragmático para o Flávio Bolsonaro", explica.
VOTOS POR REGIÃO
Bruno Soller aponta o desafio do candidato à reeleição no Sudeste, que tem os maiores colégios eleitorais do país e a maioria concentrou seus votos em Flávio Bolsonaro. "Agora a grande chave para essa eleição — como não pode deixar de ser — até porque 42% está concentrado nessa região, é o Sudeste, e foi o grande drama para o Lula, porque ele perdeu de 10% de vantagem em SP, perdeu 10% no Rio de Janeiro, perdeu quase 12% no Espírito Santo e 3% em Minas Gerais", explicou.
Os resultados das eleições de 2026 mostram que Lula perdeu cerca de 1,7 milhão de votos em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais em comparação ao primeiro turno da eleição de 2022. "Ou seja, nos quatro estados da Região Sudeste, isso significa quase 6 milhões de votos a mais para o Flávio nessa região. O Sudeste é a região mais importante do país do ponto de vista eleitoral", conclui Soller.



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