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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Jucazinho entra em estado crítico e agrava alerta hídrico em Pernambuco

Da REDAÇÃO
charlesnasci@yahoo.com.br

A situação hídrica de Pernambuco inspira forte preocupação neste início de ano. Dados atualizados do Geoportal da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) apontam que o estado possui atualmente 23 reservatórios em situação de colapso, quando o volume acumulado é inferior a 10% da capacidade. Desse total, 20 barragens estão localizadas em municípios que tiveram situação de emergência decretada pelo Governo do Estado, em razão da estiagem prolongada e da redução significativa das chuvas. As informações são do Diario de Pernambuco.

Entre os casos mais alarmantes está a Barragem de Jucazinho, a sexta maior de Pernambuco, considerada estratégica para o abastecimento humano no Agreste Setentrional. O reservatório opera hoje com apenas 0,83% de sua capacidade, afetando diretamente cidades como Surubim, Casinhas, Frei Miguelinho, Santa Maria do Cambucá, Vertentes, Vertente do Lério, Toritama, Cumaru, Passira e Salgadinho. De acordo com a Apac, dos 23 reservatórios em colapso, 10 têm como principal finalidade o abastecimento humano, o que amplia o impacto social da crise hídrica.

Segundo o coordenador de monitoramento de recursos hídricos da Apac, Wagner Felipe, o cenário já era esperado, especialmente nas regiões mais secas do estado. Ele explica que, mesmo com chuvas próximas da média em algumas áreas, os reservatórios do Sertão e do Agreste necessitam de volumes muito elevados de precipitação para recuperação significativa. Além disso, fatores como a rápida infiltração da água no solo dessas regiões reduzem o escoamento para as bacias hidrográficas. Atualmente, 17 reservatórios em colapso estão no Sertão, quatro no Agreste, um na Mata Norte e um na Mata Sul.

Diante da gravidade da situação de Jucazinho, a Compesa informou que ações emergenciais estão em curso. De acordo com o diretor de Produção e Planejamento Operacional, Flávio Coutinho, até o fim de janeiro está prevista a entrada de água do Rio São Francisco no sistema que atende Riacho das Almas, Cumaru e Passira, como forma de aliviar a pressão sobre o reservatório. Ainda assim, o cenário geral revela uma piora em relação a agosto de 2025, quando havia 16 barragens em colapso. O avanço da crise reforça a urgência de soluções estruturais e da ampliação do uso das adutoras da Transposição, especialmente para garantir segurança hídrica às cidades dependentes de Jucazinho.