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sábado, 2 de maio de 2026

Quando a chuva vira teste político

Da CBN RECIFE - Blog do Elielson
charlesnasci@yahoo.com.br

Em Pernambuco, tragédia climática nunca é apenas fenômeno da natureza, mas também teste de gestão, liderança e capacidade política e acontece todos os anos. As fortes chuvas que atingem a Região Metropolitana e outras regiões do estado recolocam no centro do debate um dos temas mais sensíveis para o eleitor: a capacidade do poder público de prevenir, reagir e dar respostas em momentos de crise.

No tabuleiro eleitoral, o tema atinge diretamente os dois principais nomes da disputa estadual: a governadora Raquel Lyra, que está na cadeira e carrega o peso da resposta institucional imediata, e o ex-prefeito do Recife João Campos, cuja gestão também entra inevitavelmente no radar por ter comandado a capital até recentemente. Em momentos assim, pouco importa quem herdou problemas históricos ou quem iniciou obras estruturadoras. O eleitor tende a cobrar de quem governou e, de quem governa.

Há um componente inevitável de politização do tema. Adversários tentam transformar cada alagamento em símbolo de incompetência; aliados buscam atribuir o caos à força extraordinária das chuvas ou a passivos acumulados de décadas. Mas, eleitoralmente, a narrativa mais poderosa costuma prevalecer sobre a técnica: ganha quem conseguir transmitir presença, comando e empatia. Em crise climática, imagem de gabinete pesa menos que imagem de rua.

Para Raquel, o desafio é demonstrar liderança de chefe de Estado, coordenação e capacidade de mobilização rápida, algo indispensável para quem ocupa o governo e precisa transmitir controle diante da crise. Para João, o desafio é defender o legado administrativo de sua passagem pela Prefeitura do Recife sem cair na armadilha de parecer terceirizar responsabilidades. Afinal, se a capital segue enfrentando velhos problemas estruturais, parte desse debate inevitavelmente recai sobre quem a administrou.

No fim, a chuva não escolhe lado político. Mas a forma como cada líder reage a ela pode, sim, moldar percepção eleitoral. Em Pernambuco, mais uma vez, o inverno começa como fenômeno climático e rapidamente se transforma em variável de campanha.