Do JC PE - Igor Maciel
charlesnasci@yahoo.com.br
O vídeo de Lula (PT) para João Campos não encerrou a disputa pelo palanque presidencial em Pernambuco que vem se arrastando já faz tempo. Ele só encerra a dúvida sobre o que já era óbvio que é o apoio do PT ao PSB. O que o presidente não fez no vídeo, e o PSB prefere que ninguém perceba, é que a declaração não descarta um palanque duplo e não fecha nenhuma porta para Raquel Lyra (PSD). Lula disse que "está com João Campos". Não disse que "só estará com João Campos".
O comportamento recente da própria governadora alimenta essa leitura. Questionada sobre Ronaldo Caiado (PSD), candidato do seu partido à presidência, Raquel elogiou o colega de legenda mas deixou claro que Kassab (PSD) a liberou para decidir sozinha como se posicionar na eleição nacional.
A governadora mantém aberto o caminho para apoiar Lula no primeiro ou no segundo turno presidencial. O cientista político Adriano Oliveira enxerga exatamente esse cálculo por trás da neutralidade de Raquel. "É muito melhor para o presidente Lula ser neutro intensamente nessa disputa em Pernambuco e ter a governadora Raquel Lyra pedindo voto para ele no segundo turno do que fazer uma campanha intensa para o ex-prefeito do Recife, João Campos", disse.
O vídeo de Lula (PT) para João Campos não encerrou a disputa pelo palanque presidencial em Pernambuco que vem se arrastando já faz tempo. Ele só encerra a dúvida sobre o que já era óbvio que é o apoio do PT ao PSB. O que o presidente não fez no vídeo, e o PSB prefere que ninguém perceba, é que a declaração não descarta um palanque duplo e não fecha nenhuma porta para Raquel Lyra (PSD). Lula disse que "está com João Campos". Não disse que "só estará com João Campos".
O comportamento recente da própria governadora alimenta essa leitura. Questionada sobre Ronaldo Caiado (PSD), candidato do seu partido à presidência, Raquel elogiou o colega de legenda mas deixou claro que Kassab (PSD) a liberou para decidir sozinha como se posicionar na eleição nacional.
A governadora mantém aberto o caminho para apoiar Lula no primeiro ou no segundo turno presidencial. O cientista político Adriano Oliveira enxerga exatamente esse cálculo por trás da neutralidade de Raquel. "É muito melhor para o presidente Lula ser neutro intensamente nessa disputa em Pernambuco e ter a governadora Raquel Lyra pedindo voto para ele no segundo turno do que fazer uma campanha intensa para o ex-prefeito do Recife, João Campos", disse.
O vídeo que o PSB comemorou como vitória pode, na prática, não ser isso. Lula sinalizou a Campos. Raquel sinaliza a Lula. O segundo turno presidencial, que tende a ser disputado com margem estreita, poderá depender justamente dessa equação que o vídeo embaralhou e, de propósito, não resolveu.
SILÊNCIO
A festa em Gravatá, onde o vídeo foi exibido num evento do PSB, foi real. O entusiasmo dos presentes também. Mas entusiasmo político e efeito eleitoral prático são coisas distintas. Adriano Oliveira foi categórico: "Eleitoralmente não tem nenhum impacto. O ex-prefeito do Recife, João Campos, não irá crescer nas pesquisas em razão da declaração do apoio de Lula."
A razão estaria na estrutura do voto para governador. O eleitor pernambucano não escolhe seu governador pela mesma lógica com que escolhe seu presidente. Avalia obras, percepção de segurança, sensação de melhora de vida. Raquel Lyra tem 67% de aprovação no último Datafolha e construiu esse número independentemente do debate nacional. Parte do eleitorado que vota em Lula para presidente vota em Raquel para governadora simplesmente porque aprova o governo estadual. O vídeo de Lula não muda isso.
CUSTO
Ao consolidar João Campos como um nome de Lula em Pernambuco, o vídeo resolve um problema do PSB e cria outro. Entre 30% e 35% do eleitorado pernambucano rejeita o lulismo. Esse grupo até ainda estava em disputa. Agora não está mais. "João Campos hoje é o candidato de Lula em Pernambuco e consequentemente ele não terá esses 30 a 35% de votos dos eleitores que rejeitam o lulismo", analisou Adriano Oliveira. Campos ganhou o simbolismo de ter Lula ao seu lado e perdeu, em troca, uma fatia do eleitorado que dificilmente votará em quem Lula indica.
Raquel Lyra herda esse eleitorado sem precisar disputá-lo. A neutralidade que ela mantém deixou de ser apenas uma estratégia cautelosa e passou a ser, depois do vídeo, uma vantagem estrutural. Quanto mais Lula se aproxima de Campos, mais o eleitorado antilulista se consolida na governadora.
CÁLCULO
Lula não gravou o vídeo pensando em Pernambuco. Gravou pensando no Brasil. João Campos é presidente nacional do PSB, partido que integra a base do governo federal em múltiplos estados. Ignorar o pedido de Campos seria sinalizar ao PSB que a aliança nacional tem limites inconvenientes. "O presidente Lula tinha que dar uma resposta a João Campos para garantir as negociações políticas em outros estados", explicou Adriano Oliveira. O cientista político chama isso de "apoio corpo mole". Lula aparece no vídeo, aparecerá no guia eleitoral, e dificilmente irá além disso.
Vir a Pernambuco, caminhar com Campos no sertão e desgastar-se numa disputa em que Raquel Lyra larga na frente com 67% de aprovação seria trocar um trunfo por uma briga desnecessária. "Lula hoje está precisando de votos e os votos de Pernambuco servirão muito para ele poder vencer a eleição", avaliou Adriano. Se a eleição presidencial vai ao segundo turno, como tende a ocorrer, quem pedirá voto para Lula em Pernambuco será Raquel Lyra. Esse cálculo pesa mais do que qualquer vídeo.
COLATERAL
O maior prejudicado pelo vídeo não é Raquel Lyra, mas pode ser o senador Humberto Costa (PT), segundo Oliveira. Ele argumenta que enquanto Lula mantivesse neutralidade em Pernambuco, existia espaço para que a governadora fizesse vista grossa à candidatura de Costa ao Senado. "Isso poderá fazer com que a governadora Raquel Lyra peça intensamente aos seus prefeitos que votem nos seus dois senadores, consequentemente prejudicando a candidatura de Humberto Costa", afirma. O vídeo que o PT comemorou pode custar ao PT, em último caso, até a vaga no Senado.






