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A disputa pela Federação União Progressista deixou de ser apenas uma queda de braço por uma vaga ao Senado. O que está em jogo, na prática, é o equilíbrio da campanha na televisão e no rádio. Pelos cálculos das bancadas da Câmara dos Deputados, João Campos larga com o apoio de partidos que somam 205 deputados federais. Raquel Lyra, com a Federação União Progressista, reúne 198 deputados. Ou seja, teria o jogo equilibrado.
Sem o tempo da federação União Progressista a diferença é expressiva e significa que o ex-prefeito do Recife teria praticamente o dobro do tempo de propaganda eleitoral da governadora. O cenário se torna ainda mais delicado para o Palácio caso a Federação União Progressista, que reúne 106 deputados federais, opte por caminhar com João Campos. Nesse desenho, a base do socialista chegaria a 311 deputados, contra os mesmos 92 da governadora.
Traduzindo esses números para a propaganda eleitoral, Raquel passaria a dispor de aproximadamente 25% do tempo em relação ao adversário. Em outras palavras, a cada quatro inserções na televisão, João teria três e Raquel apenas uma. Na divisão do guia eleitoral, o impacto também seria significativo. João se aproximaria de sete minutos de tempo de televisão, enquanto Raquel ficaria com menos de dois minutos.
É justamente por isso que a discussão sobre a Federação União Progressista extrapola a composição da chapa majoritária. Mais do que definir um candidato ao Senado, ela pode definir o tamanho da vitrine eleitoral de cada lado durante toda a campanha. E, em uma eleição marcada pelo peso da comunicação, esse pode ser um ativo tão valioso quanto qualquer aliança política.
BASE DE CÁLCULO
Vale um esclarecimento importante: o tempo de propaganda no rádio e na televisão não é calculado com base na composição atual da Câmara dos Deputados. A legislação eleitoral considera o número de deputados federais eleitos em 2022 por cada partido, parâmetro que serve de referência para a distribuição do tempo destinado às campanhas.






