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sábado, 31 de outubro de 2026

Chacrinha, o eterno "Velho Guerreiro" nascido em Surubim, ganha destaque em entrevista histórica recuperada pela Band

Da REDAÇÃO
charlesnasci@yahoo.com.br

Uma entrevista histórica de Abelardo Barbosa, o Chacrinha, voltou a ganhar destaque neste sábado (31 de outubro), após ser recuperada pela Band. Gravado em 1982, quando o apresentador ainda era contratado da emissora, o registro mostra um dos maiores comunicadores da televisão brasileira em um momento descontraído, franco e bem diferente da imagem marcada pela cartola, pela buzina e pelos bordões que o consagraram.

O material foi resgatado pelo Band Entretê a partir do acervo da emissora e apresenta um recorte de uma edição do "Canal Livre", programa comandado à época pelo jornalista Roberto D'Ávila. Na entrevista, Chacrinha não apenas respondeu às perguntas dos entrevistadores, mas também levantou, contou histórias, deu opiniões sobre televisão e sociedade e, fiel ao seu estilo, acabou transformando a própria entrevista em um espetáculo.

E há um detalhe que merece atenção especial para os pernambucanos, principalmente para os moradores de Surubim: o homem que se tornou um dos maiores ícones da televisão brasileira nasceu na Capital da Vaquejada. José Abelardo Barbosa de Medeiros nasceu em Surubim, no dia 30 de setembro de 1917. Embora tenha deixado a cidade ainda criança e seguido sua trajetória por Caruaru, Campina Grande e, posteriormente, pelo Recife e Rio de Janeiro, sua certidão de nascimento na história da cultura brasileira está ligada a Surubim.

Na entrevista recuperada pela Band, Chacrinha aparece sem a necessidade de recorrer aos personagens que ajudaram a construir sua carreira. Perguntado se alguma vez se cansava de ser o "Chacrinha", respondeu que isso acontecia principalmente quando estava preocupado. "Às vezes sim, mas 90% não, só quando estou preocupado, porque muita coisa preocupa minha vida. Principalmente com o povo, mas eu adoro lidar com o povo, principalmente o povo", afirmou.

Assista à entrevista:
O apresentador também falou sobre sua relação com o público e deixou claro que enxergava o entretenimento como uma forma de levar alegria às pessoas, especialmente às camadas mais pobres da população. "Deus me deu muita felicidade e peço a Deus para continuar me dando essa felicidade muito grande para que eu possa transmitir um pouco de alegria para este povo brasileiro", disse durante o programa.

Sem abandonar o humor ácido que fazia parte de sua personalidade pública, Chacrinha também foi provocado a dizer quem, no mundo artístico, ele "buzinaria". A resposta veio sem muita cerimônia: Elis Regina. O motivo, segundo ele, era o sorriso da cantora. A declaração foi feita em tom de brincadeira, mas também serviu para reafirmar uma característica que acompanhou o comunicador durante toda a carreira: a disposição para falar o que pensava. "Eu posso estar certo, errado, agrado uns, não agrado outros, mas o que acontece é o seguinte: o que eu falo, é o que eu sinto", afirmou.

A entrevista também recupera um episódio marcante da passagem de Chacrinha pela Band. Durante o período em que trabalhou na emissora, o apresentador teve problemas com a censura do regime militar e chegou a ser preso por desacato depois de pedir que uma censora à paisana deixasse os bastidores de seus programas. Segundo relato publicado pelo Jornal do Brasil na época, a agente estaria nos estúdios para fiscalizar as roupas das chacretes. Após o episódio, Chacrinha foi levado para as instalações do Departamento de Polícia Federal, autuado por desacato e liberado após o pagamento de fiança.

A passagem pela Band foi uma das etapas da longa carreira de Chacrinha na televisão. Entre 1978 e 1982, ele comandou na emissora o "Buzina do Chacrinha" e a "Discoteca do Chacrinha", recebendo artistas e promovendo as brincadeiras e atrações musicais que marcaram seu estilo
. O recorte recuperado agora pela Band ajuda a mostrar justamente esse personagem para além da cartola e da buzina: um comunicador inquieto, popular, irreverente e profundamente ligado ao público. Para Surubim, porém, a entrevista ganha ainda outro significado. Mais de três décadas após sua morte, em 1988, o "Velho Guerreiro" continua sendo lembrado como um dos nomes que levaram o nome da cidade para todo o Brasil.