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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Mestre João de Cordeira recebe título de Notório Saber da UPE em cerimônia na Mata Norte

Da REDAÇÃO
charlesnasci@yahoo.com.br

Uma noite marcada por emoção e reconhecimento à cultura popular pernambucana. Assim foi a cerimônia que concedeu ao mestre João Luiz de Santana, conhecido como Mestre João de Cordeira, o título de Notório Saber em Cultura Popular, outorgado pela Universidade de Pernambuco (UPE). A solenidade ocorreu na última quinta-feira (16 de abril), no campus Mata Norte da instituição, em Nazaré da Mata, reunindo mestres e mestras de diversas tradições culturais do estado.
Reconhecido como Patrimônio Vivo de Pernambuco, Mestre João é uma das principais referências dos caboclinhos no Agreste. Ele lidera o tradicional Bloco de Caboclinhos do Sítio Melancia, localizado no município de João Alfredo. Prestes a completar 84 anos, o mestre mantém viva uma tradição iniciada ainda na infância, aos 10 anos, herdada de seus antepassados ligados a comunidades indígenas da região.
A cerimônia contou também com a presença do cineasta surubinense João Marcelo, diretor do documentário ''Cabocolino'', que retrata a trajetória do mestre e foi vencedor de mais de 35 prêmios, incluindo Melhor Filme Universitário no Festival de Cinema de Gramado.
O título de Notório Saber, previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9.394/96), reconhece formalmente o conhecimento de mestres populares que, mesmo sem formação acadêmica convencional, detêm profundo domínio em suas áreas. Com a honraria, Mestre João passa a estar apto a atuar no ensino superior, contribuindo com a formação acadêmica a partir de saberes tradicionais.
Mais do que um reconhecimento institucional, a diplomação simboliza a valorização de uma trajetória dedicada à preservação dos caboclinhos, manifestação que integra o patrimônio cultural pernambucano e carrega influências indígenas, musicais e coreográficas transmitidas entre gerações.
Em discurso, o mestre agradeceu à família, aos integrantes do grupo e à comunidade, reforçando o compromisso com a continuidade da tradição. A cerimônia também contou com representantes do Governo de Pernambuco e de instituições culturais, destacando o papel das políticas públicas na valorização dos mestres da cultura popular.
Ao final, também foram registrados agradecimentos a todos os brincantes, amigos e apoiadores da agremiação que contribuíram para a conquista, com menção especial a representantes do Governo de Pernambuco, como Wanessa Santos e Renata Borba, além da professora e doutoranda Daiane Lopes, destacada como uma das principais articuladoras dessa trajetória de reconhecimento.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Legado de Noé da Ciranda segue vivo com família e o grupo Ciranda Rosa Branca

Após sua morte em 2025, tradição criada no Diogo ganha força com filhos, netas e novos projetos para manter a ciranda viva em Surubim e região
Do PORTAL DA CIDADE SURUBIM - Paulo Lago
charlesnasci@yahoo.com.br

A música de Noé da Ciranda continua ecoando forte no Agreste pernambucano, mesmo após a sua morte, em setembro do ano passado. Mais do que saudade, o que ficou foi um legado cultural que agora é conduzido por filhos, netas e integrantes da comunidade por meio da Ciranda Rosa Branca — grupo idealizado pelo próprio mestre e que hoje representa a continuidade de sua história.

À frente do trabalho está o filho, Agaci Souto Maior, que reforça o compromisso da família em manter viva a tradição. "A gente pretende seguir com o grupo firme, com os projetos que meu pai tinha, que era fazer a cultura no lugar onde ele nasceu, no Diogo. Os músicos abraçaram a causa junto com a família e a gente pretende manter esse legado por muito tempo", afirma. Segundo ele, a decisão de continuar foi motivada por um desejo claro deixado por Noé. "Ele sempre dizia para a gente não deixar a ciranda morrer, que a semente não podia se perder", relembra.
A Ciranda Rosa Branca nasceu como um sonho antigo do artista. Ainda nos anos 1980, Noé chegou a iniciar atividades com a ciranda, realizando apresentações no litoral pernambucano, em locais como Pitimbu e Praia Azul. No entanto, a rotina intensa como mestre de obras o afastou temporariamente da cultura. Foi apenas a partir de 2017, já aposentado, que ele retomou o projeto com mais dedicação — compondo, escrevendo e fortalecendo o grupo que viria a se tornar referência na região.

Durante esse período, Noé participou de associações culturais, integrou movimentos de cirandeiros em cidades como Carpina e levou sua arte a eventos importantes, como o Festival de Inverno de Garanhuns. Também deixou registros audiovisuais, como o curta-metragem, produzido pelo cineasta João Marcelo, que ampliou ainda mais o alcance de seu trabalho.
Hoje, a chamada "terceira geração" da ciranda já começa a ganhar forma. Além de Agaci, participam da continuidade o outro filho, Cristiano, a filha Crisneide Maria e as netas Kailah Rebeca e Crislaine, que ajudam a manter o grupo ativo e conectado com o público.

O reconhecimento ao legado também veio em vida e se fortaleceu após sua partida. Durante o Carnaval deste ano, Noé foi homenageado pela Prefeitura de Surubim — um momento marcante para a família. "Foi muito emocionante ver o reconhecimento dele como artista na própria cidade. Nas escolas, as crianças trabalharam a história dele, dançaram ciranda e coco. Foi lindo ver o interesse e o respeito", destaca Agaci.
Mais do que apresentações, o grupo tem planos concretos para o futuro. Entre eles, a criação de aulas de ciranda voltadas para crianças da comunidade do Diogo, ensinando percussão, composição e poesia — práticas que o próprio Noé já realizava e agora está sendo seguido pela neta Kailah Rebeca, que é professora e que estará nesse trabalho cultural.

A iniciativa também prevê ações voltadas para idosos. "A gente quer continuar o que ele fazia. A ciranda não tem idade, é para criança, jovem e idoso. Nossa agenda está aberta e precisamos do apoio da cidade e da região para manter esse legado", reforça Agaci, reforçando que o grupo está na busca por apoio institucional e patrocínios para ampliar suas atividades.

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quinta-feira, 26 de março de 2026

Com o coração em luto, digo adeus ao meu irmão Joário

Da REDAÇÃO
charlesnasci@yahoo.com.br

A semana tem sido pesada. Ainda com o coração apertado pela despedida recente de uma amiga querida da comunidade do Diogo, em Casinhas, recebo mais um golpe duro: perdi, nesta quinta-feira (26 de março), meu irmão, Joário Deodato do Nascimento, aos 75 anos. Ele faleceu às 15h10, no Hospital do IMIP, no Recife.

Joário construiu sua história com trabalho e dignidade. Comerciante bastante conhecido no distrito de Umari, em Bom Jardim, foi durante muitos anos referência à frente de sua padaria, um ponto tradicional da comunidade. Nos últimos tempos, o negócio vinha sendo conduzido por seu filho André, o do meio, mas também deixa Adelson, o caçula, e Adriano, o primogênito, três homens de bem, que carregam o legado do pai com honra.

As lembranças que tenho são vivas. Voltam como cenas antigas, lá do sítio, onde nos reuníamos entre risos e simplicidade, ao lado dos meus irmãos Zé Roberto e Eufrásio Júnior, junto com meu pai e minha mãe, Dona Maria Borges. Em nome da minha irmã Dona Tetinha, tão querida no bairro da Cabaceira, em Surubim, estendo esse abraço de dor a todos os meus irmãos e irmãs por parte de pai, filhos de Seu Eufrásio Deodato do Nascimento, o nosso inesquecível "Mestre Frásio", que já partiu, mas segue presente em tudo que somos. E, em nome da minha sobrinha Rejane, abraço todos os sobrinhos, que hoje também sentem esse vazio.
A caminhada de Joário foi marcada por coragem. Enfrentou por anos a dura rotina da hemodiálise, passou por um transplante de rim que acabou não sendo bem-sucedido, mas não desistiu. Recentemente, havia realizado um novo procedimento e se recuperava bem, já se preparando para deixar a UTI e ir para a enfermaria. Mas, há cerca de oito dias, seu quadro se agravou após uma hemorragia, e hoje Deus o chamou para descansar.

Fica aqui também meu abraço mais apertado à sua companheira de vida, a professora Dona Aliete, mulher guerreira, de fé, que esteve ao seu lado em todos os momentos. Aos netos Carlos Henrique, Heloísa e Mathias, deixo meu carinho e minha solidariedade. Mesmo com os caminhos que a vida nos impõe, o carinho, o respeito e a gratidão permanecem intactos, eternos.

O corpo de Joário está sendo velado em sua residência, na Rua A da Alegria, nº 32, em Umari, Bom Jardim. O sepultamento será realizado nesta sexta-feira (27), às 16h, no Cemitério São José, em Surubim, sua terra natal. Hoje, escrevo não apenas como quem informa, mas como quem sente. E sente muito.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Uma lágrima para Neide

Da REDAÇÃO
charlesnasci@yahoo.com.br

Recebi com profunda tristeza a notícia do falecimento de Josineide Sales de Oliveira, nossa querida Neide de Zé Sales, aos 59 anos, na manhã desta quarta-feira (25 de março), no Hospital São Luiz, em Surubim, em decorrência de complicações de saúde. Moradora da Rua José Gomes de Lima, na comunidade do Diogo, Neide era daquelas pessoas que parecem ter nascido para fazer o bem. A notícia foi inesperada, dessas que silenciam o dia e apertam o coração de todo mundo ao mesmo tempo.

Confesso que não tive uma convivência próxima com ela. Mas, nas raríssimas vezes em que nos encontramos, sempre recebi um olhar acolhedor, um sorriso sincero, uma atenção genuína. Era aquele tipo de presença leve, que marca mesmo sem precisar de muito tempo. E hoje, vendo as mensagens se espalhando, nas conversas de WhatsApp, nas redes sociais, fica ainda mais evidente: Neide era unanimidade. Uma pessoa querida por todos. Uma dessas almas bonitas que a gente reconhece logo.

Me tocou especialmente o relato do meu amigo Adriano Jailton, que hoje mora em Brasília, lembrando o quanto ela vibrava com suas conquistas, sempre incentivando, sempre torcendo. Gratidão é a palavra que ele usou. E acho que resume bem o sentimento de muita gente.

À família, fica um abraço apertado, cheio de respeito e solidariedade. Ao esposo Celso, o eterno amor da sua vida, aos filhos Raullyson, Cassiane e Victória, à sua mãe Dona Lourdes, aos netos Kássia, Mábilly, Melyna e Ravy, e aos seus irmãos — Jair (in memoriam), Josafá, Josinaldo, Jarbas, Jucélio, Jerfesson, Jairo, Gerailton, Josiano e Josimere — minha força e minhas orações.

Jucélio, um de seus dez irmãos, em mensagem compartilhada nas redes sociais, traduziu com muita sensibilidade o que todos estão sentindo: "Hoje o céu recebe um anjo especial: minha irmã Neide. Peço a Deus que acolha com amor e conforte o coração de todos nós que ficamos com a saudade. A dor é imensa, mas o que nos conforta é saber que seu amor por nós nos torna mais fortes para seguirmos".

E nessas horas, sempre me vem à mente aquela frase de João Guimarães Rosa: "As pessoas não morrem, ficam encantadas. A gente morre é para provar que viveu". 
Que Jesus a receba de braços abertos. Hoje, fica a saudade. E uma lágrima silenciosa por alguém que fez da vida um gesto constante de carinho.

A despedida acontece na Sala de Homenagens da Girassol Master, na Rua Cônego Benigno Lira, no Centro de Surubim. O sepultamento será na manhã desta quinta-feira (26), às 9h, no Cemitério de Lagoa de Pedra, em Casinhas.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Carnaval 2026 de Surubim homenageia Apolinário Lucena e Noé da Ciranda

Do PORTAL DA CIDADE SURUBIM - Paulo Lago
charlesnasci@yahoo.com.br

A Prefeitura de Surubim anunciou nesta segunda-feira (26), por meio de suas redes sociais, os homenageados do Carnaval 2026: A festa vai reverenciar dois nomes de grande relevância para a identidade cultural da cidade: o artista plástico e artesão Apolinário Lucena e o cirandeiro Noé da Ciranda, falecido em setembro do ano passado. A escolha destaca a valorização da cultura popular surubinense e reconhece trajetórias que ajudaram a construir a memória artística e cultural do município, tanto nas artes visuais quanto na música tradicional pernambucana.

Natural de Surubim, Severino Apolinário de Lucena Filho é artista plástico e artesão autodidata. Ele desenvolveu uma técnica própria que utiliza papel machê, tinta a óleo e pó-de-serra, resultando em obras coloridas em alto relevo, com efeitos tridimensionais pouco comuns na arte popular. Sua produção é marcada pela representação das manifestações festivas e do cotidiano do povo nordestino. Além de seu trabalho artístico, Apolinário também é reconhecido como o autor do desenho da bandeira oficial do município de Surubim.
Já Noé Souto Maior Barbosa, o Noé da Ciranda, construiu uma trajetória de 39 anos dedicados à ciranda, tornando-se uma das vozes mais representativas desse ritmo em Pernambuco. Iniciou a carreira artística aos 33 anos, inspirado por mestres como Baracho de Abreu e Lima e João da Guabiraba. Em 1986, formou um grupo instrumental e passou a animar rodas de ciranda em praças, praias e eventos culturais, destacando-se pela improvisação de versos.

Ao longo da carreira, Noé lançou nove CDs, com 117 músicas gravadas, e ganhou projeção estadual com o grupo Ciranda Rosa Branca, levando o nome de Surubim a diferentes regiões. Em 2024, sua história e legado foram retratados em um documentário dirigido pelo cineasta surubinense João Marcelo, que evidenciou não apenas sua contribuição musical, mas também seu papel como guardião da ciranda enquanto patrimônio cultural imaterial.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Pernambuco tem ao menos 233 orelhões em 78 cidades que serão retirados das ruas

De O PODER
charlesnasci@yahoo.com.br

A era dos orelhões, cabines telefônicas bastante populares no Brasil até a chegada dos smartphones, vai acabar a partir deste mês. Os famosos telefones públicos que chegaram a ser um símbolo nacional começaram a ser retirados definitivamente das ruas de todo o Brasil em janeiro.

OS ORELHÕES DE PERNAMBUCO

De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), os 38 mil aparelhos que ainda existem no país serão retirados das ruas até 2028. Quase metade dos 184 municípios de Pernambuco ainda têm telefones públicos que funcionam com ficha. Conforme os dados da agência reguladora, há, ao menos, 233 cabines em 78 cidades, o que corresponde a 42% do total.

Segundo a Anatel, a retirada se dará por etapas. Primeiro, serão removidas as carcaças e as cabines desativadas, que são cerca de 4 mil. Nos locais onde não há sinal de celular disponível, os orelhões serão mantidos por mais tempo, mas só até o fim do prazo estabelecido pelo governo. A ideia é que as empresas de telefonia parem de manter as cabines e passem a investir mais na expansão da rede móvel.

MAIOR NÚMERO

Segundo o levantamento da Anatel, o município pernambucano que tem o maior número de orelhões é Petrolina, no Sertão, com 17 aparelhos. Em segundo lugar, vem Exu, também no Sertão, com dez cabines. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), 38 mil aparelhos ainda permanecem no território nacional. Quase indispensáveis no passado, os orelhões se tornaram praticamente obsoletos com a popularização dos celulares. A retirada começa agora porque, no ano passado, acabaram as concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos aparelhos.

ESSENCIAIS

Por muito tempo os orelhões foram essenciais para a comunicação dos brasileiros, especialmente entre os anos 1970 e o começo dos anos 2000, quando ainda não existia o telefone celular. Facilitavam contatos urgentes, ajudavam a construir histórias, serviam como ponto de encontro e, muitas vezes, eram o único meio de falar com alguém fora de casa. Foi ali, ao ouvir o clássico "chamada a cobrar", que muita gente esperava ansiosa até cair a ficha — literalmente — para completar a ligação.

FORMATO DE OVO

Essa icônica cabine telefônica em formato de ovo, que chegou a ter mais de 50 mil unidades espalhadas pelo país, foi projetada por uma arquiteta que nasceu na China, mas viveu a maior parte da vida no Brasil. Cabines telefônicas existiam em outros países, mas a criação da arquiteta, enquanto trabalhava em uma companhia telefônica, se tornou icônica pelo seu design, reproduzido em outros países como Peru, Angola, Moçambique e China. Criado pela sino-brasileira Chu Ming Silveira enquanto trabalhava em uma companhia telefônica, o orelhão surgiu em 1971. Inicialmente, o aparelho tinha outros nomes, como Chu I e Tulipa

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

A religião do ódio: por que deixei de ser esquerdista

O cronista de sete leitores, Paulo Briguet, nos idos
de 1993, quando era militante esquerdista
Da GAZETA DO POVO - Paulo Briguet
charlesnasci@yahoo.com.br

"O movimento revolucionário é o flagelo maior que já se abateu sobre a espécie humana desde o seu advento sobre a Terra".

(Olavo de Carvalho)


Alguns podem se escandalizar com o comportamento abjeto da esquerda, que silencia diante do massacre do povo iraniano, condena a captura de um narcoditador e apoia a perseguição e a tortura de pessoas inocentes no Brasil. Eu não me escandalizo, e digo por quê. A esquerda, desde sempre, é a religião do ódio. Há muito tempo venho dizendo que um dos elementos centrais da mentalidade revolucionária é a morte do adversário. O socialista não está preocupado em rebater nossos argumentos ou em debater ideias.

Na cabeça do militante, não existe a possibilidade de que um conservador ou cristão venha a participar do debate público. Ele quer, nas palavras de Saul Alinsky, "erradicar o inimigo da face da Terra". Na definição de Lula, o adversário não é um ser humano, mas um animal que deve ser "extirpado". O ódio é o combustível da alma esquerdista. Portanto, não são os argumentos racionais que levam alguém a abandonar a esquerda. Você só deixa de ser esquerdista por uma grande decepção pessoal. Eu tive várias:

1- Há 28 anos, participei do Congresso Mundial dos Jornalistas, em Recife. Quase todo o evento foi muito ruim e desorganizado, mas no último dia houve um belo momento: Ariano Suassuna recitou alguns de seus poemas. Eram versos sebastianistas, que falavam sobre a volta de um rei muito querido por seu povo. Ao meu lado, estava sentado um famoso professor marxista, autor de livros teóricos sobre jornalismo. Ao final da apresentação, o professor fez um comentário do qual me lembro como se fosse hoje: "Eu não vou esperar rei nenhum!"

2- Quando Augusto Pinochet foi preso na Inglaterra por ordem de Baltasar Garzón, apareceu em Londrina um advogado que atuava na equipe do juiz espanhol. Eu era repórter de um jornal local e fui escalado para entrevistá-lo. O advogado me esperava no café do Hotel Bourbon; usava cavanhaque e óculos de lentes quadradas. Conversamos durante uma hora. Deixei para o final uma pergunta simples: "A direita diz que Fidel Castro também deveria ser preso. O que o sr. tem a dizer sobre isso?" Antes de responder com evasivas, o homem lançou-me, por trás das lentes quadradas, um olhar de ódio que nunca esquecerei.

3- No mesmo período, li o livro "Combate nas Trevas", do historiador marxista Jacob Gorender. A descrição que o autor faz da morte do tenente Alberto Mendes Júnior no Vale do Ribeira, em 1970, é, ao mesmo tempo, horripilante e indelével, como só um grande escritor conseguiria fazer. Alberto se entregara como refém, estava desarmado e amarrado. Foi morto a coronhadas por dois companheiros de Lamarca. Tinha 23 anos.

4- "A morte de um homem é uma tragédia; a de milhões, uma estatística", dizia Stálin. O assassinato do tenente Alberto abriu-me os olhos para a lógica dos genocídios comunistas: Mao, Stálin, Pol Pot, Ceausescu, Hoxha, Fidel... Se Lamarca ou Marighella chegassem um dia ao poder, aquela morte seria multiplicada por milhões.

5- Até que um dia, também há quase 30 anos, fui levado a participar do linchamento moral de um amigo inocente, por razões políticas. Tentei disfarçar, desenvolver argumentos intelectuais, buscar razões nobres para um ato que era essencialmente imoral. Estava apenas mentindo a mim mesmo. Só um fato me consola: anos depois, pedi e recebi o perdão desse amigo.

6- Há, porém, dois mortos que determinaram o meu completo abandono da esquerda. Seus nomes: Paulo Francis e Celso Daniel. Francis mostrou a verdade sobre aquela estatal brasileira. Mais do que certo, ele estava sendo profético; mais do que profético, ele estava sendo heroico. Mas seu coração não suportou a perseguição.

7- Sobre Celso Daniel, não é preciso dizer muito. Basta apenas lembrar aquele corpo abandonado na soturna estrada de terra. Aquele é o marco fundador da ditadura que nós vivemos hoje e que está produzindo a sua vítima sacrificial suprema: Jair Messias Bolsonaro.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Morre aos 73 anos o ex-ministro Raul Jungmann, primeiro titular da pasta da Segurança no país

Pernambucano e ex-deputado, ele estava internado em Brasília e tratava um câncer
De O GLOBO - Ivan Martínez-Vargas
charlesnasci@yahoo.com.br

Morreu neste domingo (18), aos 73 anos, o ex-ministro Raul Jungmann, que comandou as pastas da Defesa e da Segurança Pública, no governo de Michel Temer, e do Desenvolvimento Agrário, durante o primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A informação foi noticiada pelo colunista do GLOBO Lauro Jardim. Jungmann estava internado em um hospital em Brasília e tratava um câncer. Era presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entidade que representa o setor da mineração no país, desde 2022.

Pernambucano nascido em Recife, Jungmann chegou a estudar psicologia na Universidade Católica de Pernambuco, mas abandonou o curso antes de se formar. Ainda durante a ditadura militar, iniciou a vida política, tendo se filiado ao MDB, partido de oposição ao regime. Nos anos 1980, foi um entusiasta do movimento das Diretas Já. Quando da redemocratização do país, Jungmann filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Partidão, que sob o comando do também pernambucano Roberto Freire deu origem ao PPS (hoje Cidadania).

A projeção nacional de Jungmann na política ocorreu nos anos 1990. O político foi secretário de planejamento do governo de Miguel Arraes em Pernambuco. Amigo de Fernando Henrique Cardoso e de sua esposa, Ruth Cardoso, Jungmann foi nomeado presidente do Ibama logo no início do governo FH. Em 1996, tornou-se ministro extraordinário de Política Fundiária, pasta criada em resposta à crise aberta pelo massacre de Eldorado dos Carajás. O ministério era ligado diretamente à Presidência e foi uma das estratégias do governo tucano para enfrentar a pressão de movimentos sociais ligados ao campo e que faziam oposição ao governo Fernando Henrique.

Em 1999, a pasta foi transformada em permanente e foi rebatizada no Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que Jungmann comandou até abril de 2002, quando renunciou para disputar uma vaga na Câmara. Em março de 2002, quando um grupo ligado ao MST invadiu uma fazenda do então presidente FH, em Goiás, o ministro foi pessoalmente negociar a desocupação da propriedade. Na ocasião, as Forças Armadas chegaram a ser mobilizadas para fazer a reintegração de posse, mas um acordo costurado por Jungmann com o movimento social evitou uma ação militar.

Como deputado, Jungmann foi eleito por três mandatos (foi eleito em 2002, 2006 e 2014). Na Câmara, destacou-se por liderar a Frente Parlamentar por um Brasil sem Armas e defender o Estatuto do Desarmamento em meio à campanha do referendo de 2005. A campanha pelo "sim" ao desarmamento foi derrotada.

Na Câmara, Jungmann foi presidente de comissões como a de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (2008-2009) e teve atuação destacada no episódio em que o então presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi deposto e recebeu asilo na embaixada brasileira em Tegucigalpa. O parlamentar liderou uma comissão do Congresso que foi ao país e teria intermediado conversas do então presidente deposto com meios de comunicação.

Sua atuação na área de Segurança Pública e Defesa e a postura crítica em relação ao governo de Dilma Rousseff lhe renderam o convite de Michel Temer para ser o Ministro da Defesa. Em 2018, quando Temer cria uma pasta destinada à Segurança Pública, Jungmann assume a pasta. Jungmann atuou na coordenação do emprego das Forças Armadas na operação da Garantia da Lei e da Ordem no Rio de Janeiro.

No curto período em que existiu, o Ministério da Segurança Pública de Jungmann defendeu uma reconfiguração federal da área de segurança, com mais coordenação nacional e financiamento estável. O então ministro foi um dos articuladores do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), aprovado em 2018 e defendido hoje pelo governo Lula como uma política que viabiliza a integração de forças policiais e de inteligência da União, dos estados e dos municípios.

Jungmann deixa a esposa e dois filhos.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Wagner Moura, Lula e o amor

Da GAZETA DO POVO - Guilherme Fiuza
charlesnasci@yahoo.com.br

O fantasma da ditadura é a instituição mais lucrativa da cultura nacional. Se já rendeu os melhores prêmios internacionais a "Ainda estou aqui" e agora "O Agente Secreto", não há por que mudar a fórmula. Aguardemos o próximo episódio da série para a temporada 2027.

Há um dado curioso na divulgação dessas obras que se apresentam como defensoras da democracia brasileira. A história é sobre a ditadura militar, mas o protagonista da campanha de lançamento é Lula. Foi assim com o filme estrelado por Fernanda Torres e assim é com o sucessor, estrelado por Wagner Moura. Os artistas e o presidente se falam pelo telefone, confraternizam em visitas palacianas, compartilham publicamente elogios mútuos como guerreiros da democracia e são felizes para sempre.

Tanto na campanha de "Ainda estou aqui", de Walter Salles Jr., como na de "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, uma espécie de túnel do tempo providencial conecta os dramas dos anos 60 e 70 ao cotidiano presente de Lula, o homem do passado cristalino. O presidente atual é saudado por Wagner, Waltinho e cia. como aquele que trouxe a democracia de volta ao Brasil. O cineasta deu a entender que nem seria possível lançar seu filme se Lula não tivesse sido eleito em 2022. Claro que isso é uma falsidade, mas ninguém foi acusar o Waltinho de "desinformação".

Wagner foi mais longe: "A ditadura ainda é uma cicatriz aberta em nossa vida brasileira. Aconteceu há apenas 50 anos. Recentemente, tivemos, de 2018 a 2022, um presidente de extrema-direita/fascista no Brasil, que é uma manifestação física dos ecos da ditadura. Portanto, a ditadura ainda está muito presente no cotidiano brasileiro".

Discurso bonito. Naturalmente, nenhum repórter no tapete vermelho seria desagradável a ponto de pedir ao ator, no meio de uma celebração tão emocionante, que desse exemplos da "manifestação física dos ecos da ditadura" de 2018 a 2022. Tipo: que obra cinematográfica ou literária foi embargada nesse período? Ou que instituição foi perseguida? Que veículo de imprensa foi censurado? Que decisão do parlamento foi afrontada? Qual Brasil era mais livre: aquele ou esse?

O repórter que fizesse uma pergunta dessas era capaz de ser vaiado e expulso do recinto. Para aprender a não estragar contos de fadas perfeitos. Wagner não se constrange com o fato de ter obtido mais de 8 milhões de reais via agência nacional de cinema e ficar fazendo propaganda do presidente por aí. Claro, são recursos legítimos. Mas alguém tem que ser escolhido para receber. E esse alguém é frequentador do palácio. Enfim, cada um com os seus limites.

"Eu acho que precisamos continuar fazendo filmes sobre a ditadura", disse Wagner Moura após conquistar o prêmio de melhor ator no Globo de Ouro. A seguir a fórmula atual, seria continuar fazendo filmes sobre a ditadura e continuar criando a ficção científica de Lula como salvador da democracia brasileira. Naturalmente, não vem ao caso falar do apoio a ditaduras (verdadeiras, não fantasmagóricas), como a da Venezuela e a da China — esta convidada, inclusive, pelo presidente para trazer ao Brasil um modelo de regulação do meio digital.

Deixa isso pra lá, o momento é de festa.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Em Surubim, 6° Festival Mamulengá homenageia Noé da Ciranda

Do CORREIO DO AGRESTE
charlesnasci@yahoo.com.br

Acontece em Surubim, entre os dias 9 e 11 de janeiro, o 6° Festival Mamulengá. A programação ocorre em diferentes espaços da cidade e presta homenagem ao mestre Noé da Ciranda, referência da cultura popular pernambucana, falecido no final de setembro do ano passado e presença constante nas cinco edições do evento. As atividades têm início na sexta-feira (9), no "Terreiro da Casa em que Eu Nasci", espaço de cultura fundado por Noé da Ciranda, localizado na Rua Oscar Cavalcante Porto, nº 372, no bairro Diogo. A partir das 16h, será realizado o plantio e a doação de mudas de árvores. Às 19h, acontecem apresentações e manifestações espontâneas de artistas, familiares, amigos e admiradores de Noé. Às 20h, está prevista a apresentação do grupo Ciranda Rosa Branca.

No sábado (10), a programação ocorre no Portal Pindorama, na Rua Lagoa Nova, nº 502, bairro Lagoa Nova. Às 14h, haverá inscrição e oficina de pintura com o artista plástico potiguar Luiz Anísio, de Natal (RN), com vagas limitadas. Às 18h, acontecem apresentações musicais com Biuzinho do Violão, de Surubim, e Jorge Dissonância, de Aracaju (SE). Às 19h, será realizada a inauguração do Portal Pindorama, com a participação da cacique Evani Campos e do pajé José Elias Campos, da Aldeia Tuxá Campos de Itacuruba (PE), e de João Malunguinho. Às 19h20, ocorre a inauguração do Ateliê Mestre Zé Severino. Às 19h40, será exibido o filme "Noé da Ciranda", seguido de roda de conversa. Encerrando o dia, às 20h, acontece a apresentação do grupo Sambada de Coco de Surubim.

Veja programação completa:
No domingo (11), as atividades acontecem no Pátio dos Mamulengos Gigantes, também na Rua Lagoa Nova, nº 502. A partir das 9h, haverá continuidade da oficina de pintura com Luiz Anísio. Às 14h, ocorre a abertura da exposição com obras do artista e dos participantes da oficina. Às 15h, está previsto um entardecer poético musical, com apresentação literária da artista paraibana Juliana Soares e oficina de musicalização com materiais recicláveis, ministrada por Emerson Silva, do Núcleo de Literatura José Nivaldo, do Sesc Ler Surubim. Às 16h30, acontece a saída de um cortejo cultural do Portal Pindorama em direção ao Pátio dos Mamulengos Gigantes. Às 17h, têm início as apresentações culturais com os grupos Boi Surubim, Ciranda Rosa Branca, Mazurca Pé Quente do Alto do Moura (Caruaru), Bloco Caboclinho do Sítio Melancia (João Alfredo), Forró de Rabeca por Tito Mendes (Olinda) e Mamulengo Arte da Alegria, com o mestre Bel, de Glória de Goitá.

Durante os três dias, o festival contará ainda com atividades complementares, como feirinha de artesanato, pintura ao vivo, entrega de troféus, sorteio de brindes, doação de sementes e mudas de árvores, doação de sementes indígenas e venda de alimentos e bebidas não alcoólicas. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (31) 9-9171-1314 ou pelo perfil @memorialdosseverinos no Instagram.

Filhos de Noé da Ciranda mantêm vivo o legado da Ciranda Rosa Branca em Surubim

Do CORREIO DO AGRESTE
charlesnasci@yahoo.com.br

Após a morte de Noé da Ciranda, ícone da cultura popular de Surubim, a família decidiu seguir em frente e manter vivo o legado deixado pelo mestre. Os parentes resolveram prosseguir com o projeto Ciranda Rosa Branca, atendendo ao desejo da comunidade, de amigos e do próprio Noé, que sempre demonstrou preocupação em não deixar a tradição morrer.

O chamado para a continuidade surgiu no dia do velório e do sepultamento do artista. Durante a despedida, familiares e amigos cantaram cirandas em homenagem a Noé, contou um dos filhos do poeta, Agaci Souto Maior Barbosa, em recente entrevista na Rádio Integração FM. Segundo ele, foi nesse momento que os filhos sentiram a responsabilidade de assumir o microfone e seguir cirandando. A primeira apresentação de Agaci aconteceu ali mesmo, em um momento marcado por forte emoção.

Atualmente, a Ciranda Rosa Branca conta com três filhos de Noé como cantores, Agaci, Cristiano e Crisneide, além de Caila Rebeca, neta do mestre, que atua no apoio à organização. Alberto, também filho de Noé, é responsável pela percussão. Outros familiares e músicos que já acompanhavam o artista seguem integrando o grupo. Ainda conforme Agaci, Noé não costumava dividir o microfone, mas sempre incentivou os filhos a aprenderem e viverem a ciranda. "Todos cresceram envolvidos com a tradição, participando dos ensaios e apresentações".

Veja no vídeo:
A agenda já tem compromisso. A Ciranda Rosa Branca se apresenta no dia 9 de janeiro, no Festival Mamulengá, em Lagoa Queimada, zona rural de Surubim. Como prévia, foi realizado um ensaio aberto no último dia 20 de dezembro, na mesma comunidade, no terreiro da casa onde Noé nasceu. O local era especial para o artista, que fazia questão de realizar ali, mensalmente, cirandas especialmente com os jovens, para garantir a preservação da cultura.

O legado de Noé da Ciranda também segue ganhando reconhecimento fora de Surubim. O curta-documentário "Noé da Ciranda", produzido pelo jornalista e produtor cultural João Marcelo Alves, foi exibido em dezembro na 16ª edição do Festival de Cinema de Triunfo, um dos mais importantes do país. A obra retrata o cotidiano do artista, sua poesia, sua musicalidade e a força agregadora da ciranda nas comunidades por onde passou.

"Para a família, é motivo de gratidão e emoção. Mais do que lembrar o artista, a missão agora é manter viva a ciranda, levando o povo novamente para as ruas, calçadas e terreiros, como Noé sempre defendeu. A Ciranda Rosa Branca segue viva, porque como dizia o mestre, acaba o homem, fica a fama", concluiu Agaci. O contato para apresentações é (81) 9-9907-2179. Outras informações podem ser obtidas pelo Instagram: @noedaciranda.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Políticos e população de Casinhas lamentam morte de Fátima Veiga, aos 73 anos

Fátima Veiga (esq.), então candidata a vereadora, ao
lado de Juliana de Chaparral, no pleito de 2020
Da REDAÇÃO
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O município de Casinhas amanheceu de luto com a morte de Fátima Maria da Veiga Lima, aos 73 anos, ocorrida na terça-feira (30 de dezembro), no Recife, em decorrência do agravamento de problemas de saúde. O falecimento aconteceu às vésperas do Ano Novo e causou forte comoção entre familiares, amigos e lideranças políticas da cidade. O velório foi realizado na manhã desta quarta-feira (31), no Cemitério da Várzea, na capital pernambucana, e, em seguida, o corpo foi levado para Casinhas, sua terra natal, onde o sepultamento acontece no cemitério local.

Figura bastante conhecida e querida no município, Fátima Veiga era lembrada pelo bom humor, pela personalidade extrovertida e pela presença constante na vida social e política da cidade. Integrante de uma das famílias tradicionais de Casinhas, era considerada a guardiã de um rico acervo literário da família Veiga. Ao longo da trajetória, também participou ativamente da política local, tendo disputado eleições para a Câmara Municipal em mais de uma ocasião, a última delas em 2024, integrando o palanque da prefeita reeleita Juliana de Chaparral.

Veja no vídeo:
A prefeita, aliás, lamentou profundamente a perda da amiga e destacou a relação de confiança e afeto construída ao longo dos anos. "Hoje, minha amiga Fátima Veiga foi morar no céu. Ela sempre acreditou em mim, confiou que iríamos transformar Casinhas. Obrigada, Fátima, por sua confiança", declarou Juliana. Em mensagem emocionada, a gestora também relembrou o último encontro entre as duas e afirmou acreditar que a amiga está amparada pela fé. "Tenho certeza que no Céu hoje foi uma festa com sua chegada. Ah, Fátima, você vai nos fazer muita falta com sua alegria", completou.

Outras autoridades do município também se manifestaram. O vice-prefeito Lúcio Silva destacou o legado deixado por Fátima Veiga. "É com grande tristeza que recebemos a notícia do falecimento de Fátima Veiga, amiga e suplente de vereadora do município de Casinhas. Nos solidarizamos com todos os familiares e amigos neste momento de dor", afirmou. Já o presidente da Câmara de Vereadores, Maciel Sales, falou em nome dos parlamentares da Casa Manoel Veiga de Lira e Silva, ressaltando a importância da ex-candidata para a vida pública local e desejando conforto aos familiares diante da perda irreparável.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Câmara de Vereadores de Surubim homenageia Capiba

Do CORREIO DO AGRESTE
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Ao término deste ano legislativo, a Câmara de Vereadores de Surubim, num gesto de reconhecimento aos valores culturais do município, concedeu Votos de Aplausos a um de seus filhos mais ilustres. Coube a Lourenço da Fonseca Barbosa, o grande compositor Capiba, começar essas homenagens que certamente terão continuidade com Chacrinha e provavelmente seguirão com José Irineu Cabral, fundador e primeiro presidente da Embrapa.

Essa iniciativa foi decorrente de requerimento apresentado pelo vereador Murilo Barbosa na sessão ocorrida no dia 4/12 e mereceu a melhor das acolhidas entre os edis surubinenses. Murilo, em seguida ao seu pronunciamento com a exposição de motivos, fez entrega a Fernando Guerra, representando a Associação Capiba, uma plaqueta comemorativa ao evento.


Filho do maestro Severino Atanásio de Sousa Barbosa, Capiba nasceu no dia 28 de outubro de 1904 em uma casa à Rua Sete de Setembro, onde, até recentemente, encontrava-se uma placa alusiva ao seu nascimento que foi inexplicavelmente retirada da parede do prédio atual, pelo seu proprietário.
Considerado o maior compositor de frevos do país, Capiba encontra-se entre os gênios da música brasileira pela sua versatilidade, tendo, além composições em quase todos os gêneros musicais de sua época, feito incursões pela música erudita compondo um concerto para piano, outro para flauta, um trio para violino e violoncelo e uma suíte para piano. Em 1970 quando Ariano Suassuna lançou o Movimento Armorial foi um dos seus principais compositores.

No último dia do ano de 1997, veio a falecer em Recife, mas, sua memória continuará sempre viva como o maior compositor pernambucano do século XX. Seu acervo com mais de 5000 itens onde se incluem centenas de partituras, troféus, documentos, fotos e, inclusive, o piano inseparável onde fazia suas composições, foi preservado pela sua viúva Zezita Barbosa que após a morte de seu marido decidiu morar em Surubim e trouxe consigo todo esse valioso legado que enriquece a cultura do município.

Com imagens de Luiz Carlos Mota, Surubim News

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Bom Jardim faz o maior lançamento de "Os Leões do Norte" no Agreste Setentrional

Do BLOG DO MAGNO
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O município de Bom Jardim, no Agreste Setentrional, sediou, nesta terça-feira (18), a manhã de autógrafos do livro "Os Leões do Norte", do jornalista Magno Martins, pela editora Eu Escrevo. A programação, palestra seguida de sessão de autógrafos, aconteceu quadra esportiva Dr. Oswaldo Lima Filho, anexa à Escola Municipal 19 de Julho, com apoio do prefeito Janjão (PSD) e forte presença de autoridades.
O grande destaque foi a participação ativa de dezenas de estudantes de duas escolas estaduais, a EREM Dr. Mota Silveira e a EREM Raimundo Honório, e duas escolas municipais, a 19 de Julho e a ETB. Mobilizados pela Prefeitura, os alunos fizeram perguntas, comentaram trechos e conectaram o conteúdo histórico do livro ao aprendizado em sala.
Além do prefeito e de seu vice, Arsênio (PL), o evento foi prestigiado pelo vereador Célio Major (PDT). Também estiveram presentes os secretários de Cultura, Célio Borges; de Educação, Danielly Monteiro; de Saúde, Aguinaldo; de Finanças, Gabriele Fernandes; o presidente do Bom Jardim Prev, Bruno Uberlan; controlador interno, Jarbas Neto; e o secretário de Relações Institucionais, Roberto Lemos.
"Os Leões do Norte" reúne 22 minibiografias de ex-governadores de Pernambuco (1930–2022), fruto de ampla pesquisa jornalística e historiográfica. A obra preserva a memória política e institucional do Estado e destaca Pernambuco como berço de grandes lideranças.
O projeto traz design gráfico, capa e caricaturas de Samuca Andrade, além de ilustrações de Greg, fomentando o debate sobre legados, contradições e impactos de gestão. O livro homenageia os líderes que ocuparam o Palácio do Campo das Princesas e também promove o debate sobre seus legados, suas contradições e o impacto de suas gestões.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Bom Jardim recebe "Os Leões do Norte" nesta terça-feira (18) com presença de Magno Martins e apoio do prefeito Janjão

Da REDAÇÃO
charlesnasci@yahoo.com.br

Nesta terça-feira (18 de novembro), Bom Jardim será palco de um importante momento cultural: o lançamento do livro "Os Leões do Norte", do jornalista Magno Martins. O evento, que conta com apoio da Prefeitura Municipal e participação do prefeito Janjão (União Brasil), acontece a partir das 8h, na quadra esportiva Dr. Oswaldo Lima Filho, anexa à Escola Municipal 19 de Julho, no bairro Noelândia. A manhã literária reunirá estudantes, professores, diretores escolares e autoridades locais.

A obra é fruto de uma minuciosa pesquisa jornalística e historiográfica, trazendo 22 minibiografias de ex-governadores de Pernambuco, compreendendo o período de 1930 a 2022. Em suas páginas, Magno resgata personagens que marcaram a política estadual e nacional, apresentando seus feitos, contradições, legados e impactos na história recente do Estado. O livro surge como uma contribuição de peso para a preservação da memória institucional de Pernambuco.
Com design gráfico, capa e caricaturas assinadas por Samuca Andrade e ilustrações de Greg, "Os Leões do Norte" reforça a tradição pernambucana de formar grandes lideranças. O lançamento em Bom Jardim marca mais uma etapa da circulação do autor pelo Agreste, aproximando novas gerações da história política do Estado e fortalecendo a relação entre educação, literatura e cidadania.

Folha de S.Paulo reconhece legado de Noé da Ciranda — e expõe silêncio constrangedor da imprensa pernambucana

Da REDAÇÃO
charlesnasci@yahoo.com.br

A Folha de S.Paulo publicou neste domingo (16 de novembro) um obituário dedicado ao mestre Noé da Ciranda, natural da comunidade do Diogo, em Surubim, reconhecendo sua importância cultural e seu legado como o único cirandeiro do Agreste. A matéria, assinada por Adriano Alves na seção "Cotidiano", traz o título "Eternizou memórias em centenas de cirandas e poesias", e destaca depoimentos emocionados de familiares, além de contextualizar a contribuição de Noé para a cultura popular pernambucana.
O registro nacional, embora tardio, chamou atenção após ser compartilhado pelo jornalista Fernando Guerra, do Correio do Agreste. E expôs um incômodo evidente: nenhum dos grandes jornais tradicionais de Pernambuco noticiou sua morte, ocorrida em 30 de setembro. Nem televisão, nem imprensa escrita, se limitando a registros apenas no noticiário aqui da região, em rádios e blogs, inclusive aqui no Blog MAIS CASINHAS e li algo básico num Giro Blog, do Diario de Pernambuco. O silêncio é constrangedor e reforça a sensação de que alguns dos nossos próprios mestres só ganham o devido respeito quando vistos de fora.

>>Clique aqui e confira a matéria no portal da Folha de S.Paulo, também republicada aqui no blog — é só clicar aqui.

É simbólico — e triste — que o reconhecimento venha primeiro de um jornal de repercussão nacional, enquanto a mídia do próprio Estado ignorou um dos nomes mais importantes da ciranda. Como diria nosso cirúrgico Boris Casoy: "Isso é uma vergonha". Que o legado de Noé da Ciranda, contudo, siga pulsando onde sempre viveu: no povo, na memória, na cultura e nas rodas que ele ajudou a construir.

domingo, 16 de novembro de 2025

Eternizou memórias em centenas de cirandas e poesias

Mestre Noé da Ciranda era o único cirandeiro do Agreste e se tornou uma voz da cultura popular de PE
Noé Souto Maior Barbosa (1953-2025)
Da FOLHA DE S.PAULO - Adriano Alves
charlesnasci@yahoo.com.br

Juazeiro (BA) - As letras de mestre Noé da Ciranda, único cirandeiro do agreste de Pernambuco, não só animam as festas, contam suas memórias. São recordações de quem cresceu em Surubim (PE) rodeado de cultura popular. Via a família dançando coco e ciranda no terreiro. Criativo desde pequeno, fazia bonecos de barro e carrinho de lata. Uma vez montou um circo em frente à casa, que durou apenas três dias, mas deixou lembranças por toda a vida.

Os sonhos de menino precisaram ser adormecidos para assumir cedo responsabilidades. Era uma família humilde de 13 irmãos, então foi um dos que saíram para buscar sustento. Adolescente, se mudou para Recife para tomarconta dos cavalos de um cônsul americano. O trabalho árduo era narrado por ele como um alívio. Dizia ter sido uma salvação à necessidade que passava. Para conseguir viajar, a mãe precisou desmanchar um vestido para fazer sua roupa e usou sandálias de correia.

Foi na capital que conheceu mestres cirandeiros, como Antônio Baracho, e despertou a memória afetiva. De volta a Surubim, ficou conhecido pelo ofício de pedreiro. Ajudou a construir parte da cidade, como casarões e igrejas. "Se você chegasse na casa dele, ele tinha uma história pra contar. Era um senhor cheio de vida, em todo canto estava fazendo festa, andando pra cima e pra baixo", diz a neta Kailah Rebeca Souto Maior, 24.

Já com 33 anos, resolveu fazer sua própria ciranda. Em 1986, formou um grupo instrumental. Mesmo só tendo estudado até a quinta série, tinha dom para escrita e começou aulas de canto. Foram quase quatro décadas à frente da Ciranda Rosa Branca. Lançaram nove CDs com 117 músicas, além de muitas escritas e guardadas em sua memória.

Sua ciranda animava as principais festas da cidade, como o Carnaval, e rodou diversos festivais nacionais. "Isso permitiu que ele fosse mais conhecido como artista. Era um talento nato, admirado por todos. A questão do improvisar nas rimas era uma coisa que o diferenciava", afirma a filha Cristiana Maria, 48.

O mestre também escrevia poesias e cordéis, tudo a mão. Parte da inspiração vinha da feira livre, que frequentava religiosamente aos sábados. Após a morte de seu pai, no ano passado, transformou sua casa no Ponto de Cultura Terreiro da Casa Onde Eu Nasci. Noé morreu em 30 de setembro, aos 72 anos, em decorrência de um câncer de estômago. Deixa a mulher, Luzia, 68, filhos netos e bisnetos.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Magno Martins lança "Os Leões do Norte" e fala sobre jornalismo e eleições

Jornalista apresenta em Surubim obra sobre a história dos governadores de Pernambuco, comenta desafios do jornalismo e analisa cenário político para 2026
Magno Martins e Paulo Lago, editor do
 Portal da Cidade Surubim
Do PORTAL DA CIDADE SURUBIM
charlesnasci@yahoo.com.br

O jornalista e escritor Magno Martins esteve em Surubim, nesta quarta-feira (12), para lançar o seu mais novo livro, Leões do Norte. A obra, resultado de dois anos de pesquisa, retrata a trajetória de 22 governadores de Pernambuco, de Carlos de Lima Cavalcanti (1930) a Paulo Câmara (2022), e vem ganhando destaque em escolas e instituições de ensino em todo o Estado.

O evento realizado na manhã desta quarta na escola municipal Oliveiros de Andrade Vasconcelos, e que reuniu muitos estudantes, marcou mais uma parada de uma série de lançamentos nos municípios de Leões do Norte, obra que reafirma o compromisso de Magno Martins com a memória política e o jornalismo pernambucano.

Durante conversa com o jornalista Paulo Lago, do Portal da Cidade Surubim, Magno destacou a importância de levar o livro às novas gerações. "Eu tenho andado o Estado todo levando Leões do Norte para as escolas. A governadora anunciou que pretende criar, na rede estadual, uma cadeira sobre a história política de Pernambuco. Esse livro se encaixa perfeitamente, porque retrata os legados e as gestões de quem fez o Estado crescer", afirmou.

O autor ressaltou que o objetivo da obra é despertar o interesse dos estudantes pela história e pelos personagens que marcaram Pernambuco. "Os alunos precisam saber que o Hospital da Restauração foi construído por Paulo Guerra, que também é o patrono de Suape, e que Nilo Coelho fez a estrada até Petrolina e criou o primeiro projeto de irrigação do município. São fatos que ajudam a entender como Pernambuco se desenvolveu", explicou.

O JORNALISMO E AS REDES SOCIAIS

Magno também comentou sobre o cenário atual do jornalismo, especialmente no interior do Estado, e o impacto das redes sociais na profissão. "Nosso trabalho como jornalista está muito prejudicado em função das redes sociais. Qualquer pessoa hoje pode abrir um Instagram ou um blog sem ter formação, sem noção de escrita, e se passar por repórter. Isso gera desinformação e prejudica o jornalismo profissional", observou.

Apesar das críticas, ele reconheceu o papel das novas mídias na democratização do acesso à informação. "Antes, o acesso à informação era monopólio da Globo, do Estadão, da Folha, das grandes rádios. Hoje, qualquer pessoa pode abrir um canal no YouTube e ter seu espaço. Isso é positivo, mas é preciso saber separar o joio do trigo", completou.

POLÍTICA E ELEIÇÕES 2026

Ao final do encontro, o jornalista falou sobre o cenário político de Pernambuco e as perspectivas para as eleições de 2026. "A governadora Raquel Lyra vai ter muitas dificuldades na reeleição. Além de um governo que ainda não chegou ao conhecimento da população, ela enfrenta problemas de relacionamento e falta de equipe. O governo é ela mesma, e isso limita o alcance das ações", avaliou.

Magno comparou os índices de popularidade entre a governadora e o prefeito do Recife, João Campos, apontando um grande desafio eleitoral. "Nas pesquisas da Região Metropolitana, Raquel tem apenas 14%, contra 76% de João Campos. E no interior, a disputa se divide entre dois lados — o vermelho e o azul. Se o prefeito está com a governadora, o outro lado dá 40% dos votos ao adversário. É uma eleição difícil para ela", concluiu o jornalista.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Casinhas recebe "Os Leões do Norte" em tarde de autógrafos

Do BLOG DO MAGNO
charlesnasci@yahoo.com.br

Na tarde desta quarta-feira (12), em Casinhas, no Agreste Setentrional, aconteceu a palestra seguida da sessão de autógrafos do livro "Os Leões do Norte", do jornalista Magno Martins, pela editora Eu Escrevo. O encontro foi realizado no auditório da Escola São Luiz e contou com o apoio direto da prefeita Juliana de Chaparral (União Brasil).
Alunos da Escola Municipal São Luiz e da Escola Estadual João XXIII participaram ativamente do evento. Além dos estudantes, o presidente da Câmara dos Vereadores, Maciel Sales (PSDB), e os vereadores Nivaldo Silva (União Brasil), Evaldo Catolé (PSDB), Thiago de Bengalas (União Brasil), Valdiane do Junco (União Brasil) e Amós, representando a esposa e vereadora Charliane de Amós (União Brasil), também estiveram do lançamento.
Do Executivo, compareceram os secretários Ana Cristina (Assistência Social), Sandreane Domingos (Educação), Alessandra Almeida (Cultura), Alessandra Soares (Saúde), Willian Santana (Obras), Joãozinho de Serra Verde (diretor de Obras), Rosalvo Diniz (Agricultura), Rejane Brito (Administração) e Juliana Ceci (Finanças).
SOBRE O LIVRO

"Os Leões do Norte" reúne 22 minibiografias de ex-governadores de Pernambuco (1930–2022), fruto de ampla pesquisa jornalística e historiográfica. A obra preserva a memória política e institucional do Estado e destaca Pernambuco como berço de grandes lideranças. O projeto traz design gráfico, capa e caricaturas de Samuca Andrade, além de ilustrações de Greg, fomentando o debate sobre legados, contradições e impactos de gestão.
"Os Leões do Norte" homenageia os líderes que ocuparam o Palácio do Campo das Princesas e também promove o debate sobre seus legados, suas contradições e o impacto de suas gestões.