Do JC PE - Adriana Guarda
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A 26ª Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte) foi lançada nesta quarta-feira (10), na sede provisória do Centro de Artesanato de Pernambuco, no Bairro do Recife, anunciando investimento recorde de R$ 16 milhões. Realizada pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), a feira acontece entre os dias 8 e 19 de julho no Pernambuco Centro de Convenções, em Olinda, com expectativa de receber mais de 340 mil visitantes.
Este ano o tema é "Seleiros de Pernambuco: Ofício que Transforma". Presente no lançamento, a governadora Raquel Lyra destacou a importância econômica da Fenearte e o aumento do investimento do governo do Estado nos últimos anos. Desde 2022 o aporte escalou de R$ 7 milhões para o valor deste ano.
A aposta tem retorno comprovado. Em 2025, a Fenearte movimentou R$ 163 milhões em 12 dias de evento, recebeu mais de 300 mil visitantes e registrou aprovação de 99% do público. Em 2023, a movimentação tinha sido de R$ 54 milhões, o que significa que o resultado financeiro da feira triplicou em dois anos.
"Não se trata somente de um lugar incrível para visitar, um mergulho na nossa identidade e na nossa história. É de onde as pessoas tiram o seu sustento", afirma Raquel. Ela destaca que os negócios gerados na feira reverberam ao longo de todo o ano. "Não é só o que foi vendido do estoque, mas aquilo que se pode fazer de negócios pelo ano inteiro", complementa.
Nesta edição, mais de 5 mil artesãos, expositores e empreendedores de Pernambuco, de 24 estados do Brasil e de mais de 30 países ocupam os 700 espaços de comercialização, distribuídos em 30 mil metros quadrados de estrutura. A dimensão sustenta o título de maior feira de artesanato da América Latina, repetido pela governadora a cada visitante estrangeiro que convida para conhecer o evento.
COMPRADORES INTERNACIONAIS É NOVIDADE
A principal novidade econômica desta edição é a comitiva inédita de dez compradores internacionais, que chega à feira em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil). O grupo participa de rodadas de negócios com 40 artesãos selecionados, com potencial de gerar encomendas e levar o artesanato pernambucano a pelo menos dez países.
O movimento de expansão já começou antes da abertura dos portões. Em maio, a Fenearte saiu de Pernambuco pela primeira vez e ocupou o São João Gomes, em São Paulo. A presença na capital paulista gerou quase R$ 400 mil de renda para artesãos pernambucanos.
"Esses artesãos e essas artesãs realmente dependem da feira para sobreviver, para vender e viver do seu trabalho dignamente. É por isso que o governo vem investindo cada vez mais", diz Camila Bandeira, diretora-executiva da Fenearte e diretora-geral de Promoção da Economia Criativa da Adepe.
Veja no vídeo:
COURO EM CENA
O tema "Seleiros de Pernambuco: Ofício que Transforma" reverencia quem faz do couro abrigo, proteção e ornamento. "O couro é resistência. Ele é transformado a partir das mãos desses artesãos e dessas artesãs, que também têm as suas vidas transformadas por esse ofício", explica Camila. A palavra seleiro, originalmente ligada a quem fabrica selas, hoje nomeia qualquer artesão que trabalha o couro.
Os artesãos atravessam o mapa de Pernambuco. No Sertão, estão Zé Venceslau, do Ciclo do Couro de Exu, quase contemporâneo de Luiz Gonzaga, e Fafá Belém, de Petrolândia, que despertou para o couro de tilápia e criou uma associação de mulheres artesãs que vivem do ofício. No Agreste, Cachoeirinha concentra a produção de selas e arreios na Feira do Couro e do Aço. Na Região Metropolitana do Recife, designers como Jailson Marcos levam o couro à moda autoral.
DO SERTÃO AO HYPE
Entre os reverenciados, Irineu do Mestre carrega o caso mais pop do tema deste ano. Das mãos do seleiro da Fazenda Cacimbinha, em Salgueiro, saem os "bonéus", mistura de boné e chapéu que virou marca registrada de João Gomes, cantor e compositor pernambucano de 23 anos, que levou o forró ao topo das plataformas de streaming. O artista é de Serrita, terra da Missa do Vaqueiro, e exibiu a peça de couro até em gravação na Disney.
"Um jovem que mostrou para o mundo que não precisa ter cerimônia de usar um chapéu, um boné de couro e uma alpercata e sair pelo mundo sem perder a sua simplicidade", diz Irineu, que se orgulha de ver o trabalho "de um sertanejo simples" rodando o planeta. A governadora Raquel Lyra já encomendou o seu. No evento de lançamento, ela conta que Irineu mediu sua cabeça com fita métrica para produzir a peça. "Da próxima vez que eu encontrar João Gomes, eu vou estar com o meu, ele com o dele", brinca.
Herdeiro de uma linhagem de seleiros que vem do pai, Zé do Mestre, falecido em 2025, Irineu resume o peso econômico do ofício. "O artesanato em couro é um complemento de renda que a gente tem para defender nossos interesses. E é a preferência do cliente que dá vida à nossa arte", destaca.
CIDADE DA ARTE
Na entrada principal da feira, a Alameda dos Mestres reúne 64 mestres e mestras do artesanato pernambucano. A estreante deste ano é Dona Francisca Xukuru, que chega aos 80 anos de idade e quase oito décadas de trabalho com a renda renascença. Ela ocupa o espaço do mestre Roque Santeiro, de Garanhuns, falecido em 2025.
A programação inclui 13 oficinas, de reciclados a xilogravura e biojoias, que no ano passado reuniram 1,6 mil participantes. A Cozinha Fenearte oferece 17 aulas de gastronomia com o tema da cozinha sertaneja, com receitas inspiradas em aboios. A Moda Fenearte apresenta nove desfiles nos dois sábados do evento, com o couro como estrela, incluindo criações premiadas de 15 estudantes de moda e design do Estado.
O Circuito Fenearte, que leva programação paralela a museus, galerias e equipamentos culturais da Mata Norte, Mata Sul, Agreste e Região Metropolitana, chega à quarta edição com 12 imersões gratuitas. Por conta do tema, uma delas leva o público a Cachoeirinha para conhecer a Feira do Couro e do Aço.
Para facilitar o acesso, ônibus gratuitos saem a cada meia hora de cinco shoppings do Recife, e a feira estreia um terminal de passageiros dentro do Centro de Convenções. Segundo a organização, o ingresso é o mais barato do Brasil entre as grandes feiras.
SERVIÇO:
26ª Fenearte
De 8 a 19 de julho, no Pernambuco Centro de Convenções, em Olinda.
Ingressos à venda pelo Instagram @fenearte
R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia) de segunda a quinta.
R$ 16 (inteira) e R$ 8 (meia) de sexta a domingo.