Do LEIA JÁ - Jamerson Mendes
DISTRIBUIÇÃO DOS PARTIDOS: QUEM GANHOU MAIS ESPAÇO ENTRE JOÃO E RAQUEL?
A distribuição das cadeiras mostra um cenário mais equilibrado do que a simples contagem das maiores bancadas partidárias poderia sugerir. Considerando as coligações formais da disputa pelo governo de Pernambuco, partidos que integraram a Frente Popular de João Campos elegeram 11 deputados federais: quatro do PSB, quatro da Federação Brasil da Esperança, dois do Republicanos e um do MDB.
O DUELO DE FORÇAS ENTRE DIREITA E ESQUERDA
O resultado das eleições para a Câmara Federal em Pernambuco desenhou um cenário de fragmentação e equilíbrio estratégico, consolidando uma verdadeira 'quebra de braços', no qual nenhum dos blocos ideológicos obteve hegemonia absoluta.
charlesnasci@yahoo.com.br
Após o fechamento da apuração das urnas neste domingo (4), Pernambuco conheceu os 25 deputados federais que representarão o estado na Câmara dos Deputados a partir de 2027. A nova composição reúne nomes de diferentes regiões do Estado, partidos e campos ideológicos e apresenta uma combinação entre estruturas políticas tradicionais, força eleitoral de sobrenomes conhecidos e o crescimento de candidaturas marcadas por identidade ideológica.
O resultado também expõe uma característica que atravessou a eleição de 2026: a coexistência de diferentes forças dentro do eleitorado pernambucano. Pedro Campos (PSB) foi o mais votado, com 261.555 votos, seguido por Jones Manoel (Psol), que estreará na Câmara com 249.077, e Anderson Ferreira (PL), com 185.429. A lista dos eleitos foi confirmada com 100% das urnas apuradas.
Entre as mulheres, o principal destaque foi Juliana de Chaparral (União), que foi a mais votada em Pernambuco, tendo recebido 183.089 votos. Na sequência, Rosa Amorim (PT) despontou com 144.101 votos. O resultado de Chaparral ocorre em uma bancada feminina que dobrou de tamanho em relação a 2022, passando de três para seis deputadas federais. A nova bancada, porém, não representa apenas um campo político. Ao lado de Juliana e Rosa, estão Clarissa Tércio (PP), Iza Arruda (MDB), Eliane Soares (PSB) e Liana Cirne (PT), formando um grupo ideologicamente diverso.
Após o fechamento da apuração das urnas neste domingo (4), Pernambuco conheceu os 25 deputados federais que representarão o estado na Câmara dos Deputados a partir de 2027. A nova composição reúne nomes de diferentes regiões do Estado, partidos e campos ideológicos e apresenta uma combinação entre estruturas políticas tradicionais, força eleitoral de sobrenomes conhecidos e o crescimento de candidaturas marcadas por identidade ideológica.
O resultado também expõe uma característica que atravessou a eleição de 2026: a coexistência de diferentes forças dentro do eleitorado pernambucano. Pedro Campos (PSB) foi o mais votado, com 261.555 votos, seguido por Jones Manoel (Psol), que estreará na Câmara com 249.077, e Anderson Ferreira (PL), com 185.429. A lista dos eleitos foi confirmada com 100% das urnas apuradas.
Entre as mulheres, o principal destaque foi Juliana de Chaparral (União), que foi a mais votada em Pernambuco, tendo recebido 183.089 votos. Na sequência, Rosa Amorim (PT) despontou com 144.101 votos. O resultado de Chaparral ocorre em uma bancada feminina que dobrou de tamanho em relação a 2022, passando de três para seis deputadas federais. A nova bancada, porém, não representa apenas um campo político. Ao lado de Juliana e Rosa, estão Clarissa Tércio (PP), Iza Arruda (MDB), Eliane Soares (PSB) e Liana Cirne (PT), formando um grupo ideologicamente diverso.
DISTRIBUIÇÃO DOS PARTIDOS: QUEM GANHOU MAIS ESPAÇO ENTRE JOÃO E RAQUEL?
A distribuição das cadeiras mostra um cenário mais equilibrado do que a simples contagem das maiores bancadas partidárias poderia sugerir. Considerando as coligações formais da disputa pelo governo de Pernambuco, partidos que integraram a Frente Popular de João Campos elegeram 11 deputados federais: quatro do PSB, quatro da Federação Brasil da Esperança, dois do Republicanos e um do MDB.
Já os partidos que compuseram a coligação de Raquel Lyra elegeram dez: quatro da Federação União Progressista – desses, dois são do PP e os outros dois do União Brasil -, três do Podemos, dois do PSD e um do Avante.
O cenário apresenta um equilíbrio entre João e Raquel, observando como ficou o resultado das cadeiras ocupadas entre os aliados de um lado ou de outro. Avaliando esse cenário, o cientista político Bhreno Vieira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), destacou que a diferença entre as duas forças que disputaram o primeiro turno no Estado pode ganhar outra dimensão quando a nova bancada começar a atuar em Brasília.
Isso porque a dinâmica da Câmara dos Deputados é fortemente atravessada pelas negociações partidárias e pela composição nacional da Casa. "O que se propõe a observar é como os deputados federais vão conseguir trazer recursos ao estado, tendo em vista a dinâmica nacional da Câmara dos Deputados, que passa mais por uma lógica partidária do que por uma lógica estadual", afirmou. Segundo ele, os parlamentares alinhados à governadora partem de uma posição favorecida diante da nova configuração do Congresso e da vitória dela ainda no primeiro turno.
Isso porque a dinâmica da Câmara dos Deputados é fortemente atravessada pelas negociações partidárias e pela composição nacional da Casa. "O que se propõe a observar é como os deputados federais vão conseguir trazer recursos ao estado, tendo em vista a dinâmica nacional da Câmara dos Deputados, que passa mais por uma lógica partidária do que por uma lógica estadual", afirmou. Segundo ele, os parlamentares alinhados à governadora partem de uma posição favorecida diante da nova configuração do Congresso e da vitória dela ainda no primeiro turno.
O DUELO DE FORÇAS ENTRE DIREITA E ESQUERDA
O resultado das eleições para a Câmara Federal em Pernambuco desenhou um cenário de fragmentação e equilíbrio estratégico, consolidando uma verdadeira 'quebra de braços', no qual nenhum dos blocos ideológicos obteve hegemonia absoluta.
O campo da esquerda e centro-esquerda assegurou nove cadeiras fundamentais, impulsionado pelo protagonismo do tradicional PSB – que elegeu a maior bancada individual com quatros deputados, e pela expressiva expansão da Federação Brasil da Esperança, que somou três parlamentares do PT e um do PV, além do feito histórico do PSOL ao conquistar sua primeira vaga com Jones Manoel.
Em contrapartida, o 'Centrão' demonstrou resiliência ao abocanhar 11 cadeiras, pulverizadas entre o surpreendente avanço do Podemos, que garantiu três vagas, a Federação União Progressista (com dois deputados do PP e dois do União Brasil), o PSD e o Republicanos com dois assentos cada, além de um representante do MDB e um do Avante.
Por fim, a direita conservadora e liberal fincou sua posição com três cadeiras, sustentada pelas duas vagas estratégicas do PL de Anderson Ferreira e a manutenção da pauta liberal com uma vaga conquistada pelo Partido Novo. Na avaliação de Bhreno, o resultado aponta menos para uma divisão do eleitorado em dois blocos de tamanho semelhante e mais para a existência de diferentes ofertas políticas disputando espaço dentro do Estado.
"Eu diria que o resultado revela menos um estado dividido meio a meio e mais uma pluralização das ofertas políticas: uma esquerda tradicional forte, uma esquerda mais ideológica ganhando capacidade eleitoral e uma direita conservadora com um eleitorado minoritário no conjunto estadual, mas suficientemente numeroso e concentrado para eleger representantes bastante competitivos", argumenta.
Em contrapartida, o 'Centrão' demonstrou resiliência ao abocanhar 11 cadeiras, pulverizadas entre o surpreendente avanço do Podemos, que garantiu três vagas, a Federação União Progressista (com dois deputados do PP e dois do União Brasil), o PSD e o Republicanos com dois assentos cada, além de um representante do MDB e um do Avante.
Por fim, a direita conservadora e liberal fincou sua posição com três cadeiras, sustentada pelas duas vagas estratégicas do PL de Anderson Ferreira e a manutenção da pauta liberal com uma vaga conquistada pelo Partido Novo. Na avaliação de Bhreno, o resultado aponta menos para uma divisão do eleitorado em dois blocos de tamanho semelhante e mais para a existência de diferentes ofertas políticas disputando espaço dentro do Estado.
"Eu diria que o resultado revela menos um estado dividido meio a meio e mais uma pluralização das ofertas políticas: uma esquerda tradicional forte, uma esquerda mais ideológica ganhando capacidade eleitoral e uma direita conservadora com um eleitorado minoritário no conjunto estadual, mas suficientemente numeroso e concentrado para eleger representantes bastante competitivos", argumenta.
BANCADA FEMININA DOBRA DE TAMANHO
Outra mudança significativa está na representação das mulheres. Pernambuco elegeu seis deputadas federais em 2026, o dobro das três cadeiras ocupadas por mulheres na composição eleita em 2022. A nova bancada será formada por Juliana de Chaparral (União), Rosa Amorim (PT), Clarissa Tércio (PP), Iza Arruda (MDB), Eliane Soares (PSB) e Liana Cirne (PT). Juliana foi a mulher mais votada, com 183.089 votos. Rosa Amorim veio na sequência, com 144.101. Clarissa Tércio recebeu 110.608 votos; Iza Arruda, 103.758; Eliane Soares, 102.396; e Liana Cirne, 85.039.
Para Bhreno, o crescimento é significativo também porque a bancada não está concentrada em um único campo ideológico. "É particularmente interessante porque não se trata de uma bancada feminina ideologicamente homogênea. Há mulheres da esquerda, do centro e da direita. Isso indica que a presença feminina está se disseminando por diferentes campos políticos, e não ficando restrita a um único segmento partidário", pontua.
Apesar do avanço numérico, o cientista político pondera que uma única eleição não é suficiente para definir uma transformação estrutural na presença feminina na política. "Para caracterizar uma mudança estrutural, seria necessário observar se esse aumento se mantém nas eleições seguintes e, principalmente, se as mulheres passam a ocupar também posições de poder dentro dos partidos: presidências partidárias, direção de bancadas, controle de recursos eleitorais, relatorias importantes e espaços nas mesas diretoras", assevera.
Outra mudança significativa está na representação das mulheres. Pernambuco elegeu seis deputadas federais em 2026, o dobro das três cadeiras ocupadas por mulheres na composição eleita em 2022. A nova bancada será formada por Juliana de Chaparral (União), Rosa Amorim (PT), Clarissa Tércio (PP), Iza Arruda (MDB), Eliane Soares (PSB) e Liana Cirne (PT). Juliana foi a mulher mais votada, com 183.089 votos. Rosa Amorim veio na sequência, com 144.101. Clarissa Tércio recebeu 110.608 votos; Iza Arruda, 103.758; Eliane Soares, 102.396; e Liana Cirne, 85.039.
Para Bhreno, o crescimento é significativo também porque a bancada não está concentrada em um único campo ideológico. "É particularmente interessante porque não se trata de uma bancada feminina ideologicamente homogênea. Há mulheres da esquerda, do centro e da direita. Isso indica que a presença feminina está se disseminando por diferentes campos políticos, e não ficando restrita a um único segmento partidário", pontua.
Apesar do avanço numérico, o cientista político pondera que uma única eleição não é suficiente para definir uma transformação estrutural na presença feminina na política. "Para caracterizar uma mudança estrutural, seria necessário observar se esse aumento se mantém nas eleições seguintes e, principalmente, se as mulheres passam a ocupar também posições de poder dentro dos partidos: presidências partidárias, direção de bancadas, controle de recursos eleitorais, relatorias importantes e espaços nas mesas diretoras", assevera.
E OS EVANGÉLICOS, AUMENTARAM OU DIMINUÍRAM?
A presença de parlamentares ligados à base evangélica permanece entre os elementos relevantes da nova composição. Nomes como Clarissa Tércio manteve espaço entre os eleitos, enquanto Anderson Ferreira volta ao cargo e Thiago Medina (PL) estreia na Câmara Federal. A comparação com 2022, contudo, exige cuidado com o próprio conceito de bancada evangélica. O fato de um parlamentar ser evangélico não significa, necessariamente, que ele integre formalmente ou represente de maneira uniforme o segmento no Congresso.
Bhreno Vieira ressalta justamente essa diferença e aponta que a atuação parlamentar deve ser considerada para além da identidade religiosa. "Ser evangélico não significa necessariamente representar politicamente todos os evangélicos. Para falar em representação efetiva, é preciso observar também os vínculos com igrejas, as pautas defendidas e o comportamento parlamentar”, pondera.
Segundo o cientista político, a presença desse segmento permanece relevante, mas não deve ser tratada como um bloco eleitoral uniforme. "Em comparação com 2022, há uma continuidade de lideranças religiosas com forte capacidade eleitoral, mais do que uma mudança radical no peso desse segmento. E o voto evangélico continua sendo influenciado também por partido, território, classe, avaliação de governo e identificação ideológica", destaca.
A presença de parlamentares ligados à base evangélica permanece entre os elementos relevantes da nova composição. Nomes como Clarissa Tércio manteve espaço entre os eleitos, enquanto Anderson Ferreira volta ao cargo e Thiago Medina (PL) estreia na Câmara Federal. A comparação com 2022, contudo, exige cuidado com o próprio conceito de bancada evangélica. O fato de um parlamentar ser evangélico não significa, necessariamente, que ele integre formalmente ou represente de maneira uniforme o segmento no Congresso.
Bhreno Vieira ressalta justamente essa diferença e aponta que a atuação parlamentar deve ser considerada para além da identidade religiosa. "Ser evangélico não significa necessariamente representar politicamente todos os evangélicos. Para falar em representação efetiva, é preciso observar também os vínculos com igrejas, as pautas defendidas e o comportamento parlamentar”, pondera.
Segundo o cientista político, a presença desse segmento permanece relevante, mas não deve ser tratada como um bloco eleitoral uniforme. "Em comparação com 2022, há uma continuidade de lideranças religiosas com forte capacidade eleitoral, mais do que uma mudança radical no peso desse segmento. E o voto evangélico continua sendo influenciado também por partido, território, classe, avaliação de governo e identificação ideológica", destaca.
A FOTOGRAFIA APÓS O RESULTADO
A nova bancada federal pernambucana, portanto, chega a Brasília combinando continuidade e renovação. Ao mesmo tempo em que nomes conhecidos mantiveram espaço, novos parlamentares ganharam protagonismo e a representação feminina avançou numericamente. O resultado também deixa evidente que a disputa política no estado não se resume à polarização entre dois campos: diferentes formas de mobilização eleitoral encontraram espaço nas urnas de 2026.
A nova bancada federal pernambucana, portanto, chega a Brasília combinando continuidade e renovação. Ao mesmo tempo em que nomes conhecidos mantiveram espaço, novos parlamentares ganharam protagonismo e a representação feminina avançou numericamente. O resultado também deixa evidente que a disputa política no estado não se resume à polarização entre dois campos: diferentes formas de mobilização eleitoral encontraram espaço nas urnas de 2026.









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