Da GAZETA DO POVO - Leonardo Desideri
charlesnasci@yahoo.com.br
A captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, anunciada na madrugada deste sábado (3), é um ponto de inflexão na política de segurança americana para a América Latina e envia um sinal ao Brasil sobre um novo cenário na região. A operação indica uma disposição inédita de Washington para empregar força direta na América Latina, algo já antecipado no lançamento da nova Estratégia Nacional de Segurança no fim do ano passado. O documento tem sido apontado como uma reinvenção da Doutrina Monroe, princípio do século 19 que afirma a primazia dos Estados Unidos sobre o hemisfério ocidental.
Maduro foi detido em território venezuelano e levado aos Estados Unidos para responder a acusações de narcoterrorismo. A ação ocorreu após semanas de escalada retórica, sanções e movimentações militares na região do Caribe. Em pronunciamento, Trump disse que a operação abre uma nova fase na relação dos EUA com regimes considerados hostis no continente.
CAPTURA DE MADURO CRIA EQUILÍBRIO DELICADO PARA O GOVERNO LULA
No plano diplomático, a captura de Maduro também obriga o governo brasileiro a lidar com um equilíbrio delicado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já condenou publicamente a ação americana, classificando-a como violação da soberania venezuelana. Nos últimos meses, Lula vinha tentando melhorar o contato com Washington em uma série de conversas diretas com Trump. A operação recoloca a América Latina no centro das prioridades de segurança dos Estados Unidos. A nova Estratégia Nacional de Segurança tem foco explícito em crime organizado transnacional, narcotráfico, imigração ilegal e contenção da influência de potências como Rússia e China.
Nesse contexto, Trump tinha começado a tratar a Venezuela oficialmente como um problema de segurança para os EUA, e não só diplomático. Ele enquadrou o regime de Maduro como uma estrutura associada ao narcotráfico internacional, o que abriu o caminho jurídico para a ação militar. Para Luiz Augusto Módolo, doutor em Direito Internacional pela USP, essa lógica pode alcançar outros países da região, mesmo sem o uso direto de força militar. O ataque à Venezuela é, com isso, um alerta potencial para o governo brasileiro, mesmo que não imediato.
charlesnasci@yahoo.com.br
A captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, anunciada na madrugada deste sábado (3), é um ponto de inflexão na política de segurança americana para a América Latina e envia um sinal ao Brasil sobre um novo cenário na região. A operação indica uma disposição inédita de Washington para empregar força direta na América Latina, algo já antecipado no lançamento da nova Estratégia Nacional de Segurança no fim do ano passado. O documento tem sido apontado como uma reinvenção da Doutrina Monroe, princípio do século 19 que afirma a primazia dos Estados Unidos sobre o hemisfério ocidental.
Maduro foi detido em território venezuelano e levado aos Estados Unidos para responder a acusações de narcoterrorismo. A ação ocorreu após semanas de escalada retórica, sanções e movimentações militares na região do Caribe. Em pronunciamento, Trump disse que a operação abre uma nova fase na relação dos EUA com regimes considerados hostis no continente.
CAPTURA DE MADURO CRIA EQUILÍBRIO DELICADO PARA O GOVERNO LULA
No plano diplomático, a captura de Maduro também obriga o governo brasileiro a lidar com um equilíbrio delicado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já condenou publicamente a ação americana, classificando-a como violação da soberania venezuelana. Nos últimos meses, Lula vinha tentando melhorar o contato com Washington em uma série de conversas diretas com Trump. A operação recoloca a América Latina no centro das prioridades de segurança dos Estados Unidos. A nova Estratégia Nacional de Segurança tem foco explícito em crime organizado transnacional, narcotráfico, imigração ilegal e contenção da influência de potências como Rússia e China.
Nesse contexto, Trump tinha começado a tratar a Venezuela oficialmente como um problema de segurança para os EUA, e não só diplomático. Ele enquadrou o regime de Maduro como uma estrutura associada ao narcotráfico internacional, o que abriu o caminho jurídico para a ação militar. Para Luiz Augusto Módolo, doutor em Direito Internacional pela USP, essa lógica pode alcançar outros países da região, mesmo sem o uso direto de força militar. O ataque à Venezuela é, com isso, um alerta potencial para o governo brasileiro, mesmo que não imediato.
"O Lula, se realmente não fizer concessão aos Estados Unidos de mostrar que está combatendo o narcotráfico, que está preocupado com a situação do continente – se deixar o Brasil também ser instrumentalizado pelos narcoterroristas –, pode ter problemas adiante", afirma. O Brasil tem resistido, por exemplo, a designar grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, diferentemente de países vizinhos como Argentina e Paraguai. Além disso, os governos petistas têm histórico de pouca ênfase no combate direto às grandes facções.






